Perfil
Mirna de Lima Soares é jornalista. É formada em Comunicação Social, habilitada em Jornalismo, pelo Instituto Metodista de Ensino Superior (atual Universidade Metodista de São Paulo - SBC/SP). Começou a carreira em jornais de bairro, em São Paulo, ainda durante a faculdade. Passou pela Gazeta do Ipiranga e pela Gazeta de Santo Amaro, como revisora, secretária gráfica e repórter. Em Rio Preto, está desde 1993, quando foi contratada pelo extinto jornal A Notícia, como repórter de Cultura. Foi também repórter da Rede Record e, posteriormente, chamada para a editoria de Cultura do Diário da Região. Passou por praticamente todas as áreas dentro do jornal, onde permaneceu por sete anos e três meses: Cidades, Carro, Cultura, Diarinho, Economia, Esportes, Especial, Geral, Informática, Mundo, Política e Turismo. Como editora-assistente, esteve em Cultura e Política. Comandou como editora o caderno Cidades, Carro, Diarinho, Especial, Geral, Informática, Mundo, Turismo e Política, tendo também assinado a coluna Politiká. Foi por três anos correspondente da Agência Estado, uma das principais agências de notícias do Brasil, e já revisou mais de 50 livros para editoras de Rio Preto e São Paulo. Em 2003, foi coordenadora de Comunicação (site, programa de TV "O Tópico" e assessoria de imprensa) do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto. Em 2004, trabalhou na campanha política de Rio Preto, onde - entre outras funções - redigiu o programa de governo do candidato eleito. Foi também assessora de comunicação da Secretara de Saúde e Higiene de Rio Preto, cargo no qual permaneceu por dois anos. Foi ainda aassessora de gabinete da Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura de São José do Rio Preto. Atualmente, é assessora de Comunicação da deputada estadual Beth Sahão (PT).
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Domingo, Dezembro 2

Campeonato às avessas

Vamos falar sério. Definitivamente, o Corinthians desperta paixões. Ninguém fala no campeão do Brasileirão, mesmo porque o título foi definido há uma, duas ou três semanas, sem qualquer novidade ou surpresa. Neste campeonato, o que tem virado notícia é mesmo o cai não cai do Corinthians. Hoje (2/12), tem jogo às 4 da tarde e todo mundo - especialmente, os anti-corintianos - está se preparando para ver a partida. Eu, como boa corintiana, não perco por nada.

Comentário
Fala sério Mirna, ninguem vai mesmo prestar atenção em quem foi campeão. O bom mesmo pra nós, palmeirenses, foi ver a choradeira da "curintianada" nas arquibancadas e na vizinhança ... ah ah ah

Rogelio Garcia | 15-01-2008 09:07:56

Comentário meu
O Rogélio é um amigo do colegial, que eu não tinha notícias há pelo menos 23 anos. Ele reaparece e já vem tirando uma. (rs...)

postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:51:51 PM
Comentários:

A TV digital estréia neste domingo
Tire suas dúvidas sobre o novo sistema


Da Redação da Uol

Divulgação

Imagem em alta definição exige aparelhos HDTV Ready ou Full HD


Às 20h30 deste domingo (2/12), ocorrerá em São Paulo a primeira transmissão terrestre em sinal digital da TV aberta no Brasil. A transmissão marca a história da TV brasileira, que entrará, paulatinamente, em uma nova era. Para entender como isso pode afetar seu cotidiano, leia as questões abaixo e tire suas dúvidas. Mas fique tranqüilo, pois, de imediato, pouca coisa vai mudar. Nos boxes, você encontrará uma breve descrição das características da TV digital.


O que é a TV digital?
TV digital é uma nova tecnologia que possibilita às emissoras transmitirem a programação com melhor qualidade de som e imagem. As emissoras também poderão utilizar novos recursos como interatividade, exibição de informações sobre a programação, transmissão para aparelhos móveis como celulares e notebooks. Há também a possibilidade de transmitir até seis programas simultaneamente ou exibir um mesmo programa de vários ângulos--é a multiprogramação. O Ginga, software brasileiro que permite a interatividade, ainda não está pronto.


A IMAGEM DIGITAL
O sinal digital proporciona imagens com cores mais vivas e maior definição. Definição é o nível de detalhamento que a imagem pode possuir, medido em número de linhas horizontais (480, 720 e 1080 linhas). A definição padrão da TV analógica é de 480 linhas. Na digital, a definição máxima chega a 1.080 linhas (chamada Full HD). O formato da imagem na TV digital é widescreen (16:9), como o das telas de cinema, e não quadrado (4:3), como no sistema analógico. Além disso, não são exibidas imagens com "fantasmas" nem com "chuviscos". Mas, se o sinal estiver fraco, a TV não vai exibir imagens ruins; ela simplesmente não vai exibir nada.

Em 2 de dezembro de 2007, a TV digital só estréia na Grande São Paulo. Quando a TV digital chegará a outras partes do Brasil?
Até meados de 2013, o sinal digital deve chegar a todo o Brasil. Veja o cronograma de implantação do sistema no site do Fórum Brasileiro do Sistema de TV Digital Terrestre

Eu poderei receber o sinal digital na minha televisão convencional de tubo?
Sim. Para isso será necessária a aquisição de um conversor (também conhecido como set-top box) e de antena UHF, que serão conectados à TV de tubo. Neste caso, imagem e som serão equivalentes aos de um DVD. A aquisição desses aparelhos são aconselháveis para quem já não recebe uma boa imagem analógica --com "fantasmas" , por exemplo- e quer melhorar a qualidade da recepção. A imagem, no entanto, não será de alta definição, pois o conversor transforma o sinal digital em analógico, com perda de qualidade. Mas o espectador deve estar ciente de que, em aproximadamente um ano, o conversor disponível hoje no mercado deve estar obsoleto, pois serão lançados novos conversores que permitirão interatividade. O software que permitirá recursos interativos ainda está em desenvolvimento.

O SOM DIGITAL
A TV digital terá som "Som Surround 5.1" , mais rico e transmitido em múltiplos canais. Esse tipo de som também é conhecido como "som de home theater". Na TV analógica, o som só pode ser transmitido em dois canais: mono ou estéreo.

Se eu não adquirir um conversor, o que vai acontecer com a minha televisão de tubo a partir de domingo, dia 2, quando estréia a TV digital?
Nada. As transmissões do sinal analógico continuam até 2016. Só a partir dessa data é que todos os aparelhos terão de ser digitais.

Minha TV de plasma ou LCD já está pronta para receber o sinal digital?
Provavelmente não, pois os aparelhos com conversores embutidos só começaram a chegar ao mercado no final de novembro de 2007. Quem tiver um aparelho de plasma ou LCD também terá de adquirir um conversor para receber os canais digitais.

INTERATIVIDADE E PORTABIILIDADE
A TV digital permite que as emissoras forneçam serviços interativos, semelhantes a alguns da Internet. O usuário poderá participar de enquetes, adquirir produtos, comentar notícias ou acessar guias de programação, quando houver compatibilidade com algum sistema de telecomunicação, como a banda larga, celular ou mesmo pelo telefone fixo. Mas o Ginga, software que permite a interatividade, ainda não está disponível. Portabilidade permite à transmissão do sinal a aparelhos móveis (celulares, notebooks).

Quem receber o sinal digital já está recebendo programação em alta definição?
Só recepção do sinal digital não basta. A alta definição só estará disponível para quem tiver um aparelho Full HD (1.080 linhas) ou HDTV Ready (720 linhas) - este último com qualidade de imagem um pouco inferior. Quem tiver um aparelho convencional conectado a um conversor, receberá o sinal digital padrão, com imagem equivalente à de DVD. Vale lembrar que apenas parte da programação das emissoras está sendo produzida em alta definição.

Tenho um pacote digital de TV por assinatura. O que muda?
Por enquanto, nada muda. Esses canais já são digitais, mas não têm alta definição. As operadoras de TV por assinatura têm um cronograma próprio para lançar decodificadores que melhorem a definição da imagem. Se você tiver um aparelho Full HD ou HDTV Ready conectado a um conversor e sua operadora não lançar um decoder HD, você poderá assistir à TV aberta em alta definição e continuar assistindo normalmente a TV paga como já fazia. Mas será necessário trocar do decodificador para o conversor, e vice-versa, a cada vez que se quiser alternar o sistema.

MULTIPROGRAMAÇÃO
É o recurso que possibilita às emissoras transmitirem até seis programas simultaneamente. A definição das imagens vai variar conforme o número de programas exibidos. As emissoras, no entanto, não estão investindo no recurso, já que poderia haver dispersão de audiência entre os programas, o que seria incompatível com o atual modelo de negócios da TV aberta, baseado na venda de espaços publicitários.

Recebo o sinal de TV via parabólica. O que muda?
Nada muda. A digitalização é da televisão com sistema de transmissão terrestre.

Posso assistir à TV digital pelo celular?
O sistema digital permite que o sinal seja transmitido a aparelhos móveis de forma gratuita, mas os celulares brasileiros ainda não estão adaptados para receber esse sinal.

Poderei assistir à TV digital no computador?
Sim. Há receptores para microcomputadores, mas, por enquanto, eles são compatíveis apenas para telas de até 14 polegadas.

A programação poderá ser gravada?
A TV digital estréia sem um bloqueador de gravação. As emissoras de TV e as distribuidoras de conteúdo internacional, no entanto, pressionam o governo para que haja algum dispositivo de bloqueio. O objetivo é combater a pirataria, que poderia crescer ainda mais, pois não há perda da qualidade da imagem quando se reproduz um programa transmitido em Full HD. Segundo o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, eventuais dispositivos de bloqueio que venham a ser implementados devem permitir a gravação e reprodução doméstica dos programas.

postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:44:49 PM
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Sem noção

Vale a pena ler a crítica da jornalista Ruth de Aquino, publicada na edição desta última sexta-feira (30/11), da revista Época, sobre o livro de Mônica Veloso. Prefiro não fazer comentários. O texto de Ruth diz tudo. Confiram!

Um livro escrito nas coxas. Mas que coxas


RUTH DE AQUINO
é redatora-chefe de ÉPOCA
raquino@edglobo.com.br


Mônica Veloso, 39 anos, com o bronzeado e o corpão que conquistou o senador Renan Calheiros, parecia tudo – menos uma escritora – no fiasco do lançamento de seu livro O Poder que Seduz, num restaurante de São Paulo, na quarta-feira à noite. Com um vestido verde-bandeira longo e esvoaçante, decote profundo, laçarote às costas, brincos de brilhante de R$ 60 mil, anel de brilhantes de R$ 70 mil, cabelos à moda de princesinha, penteados para trás com ajuda de laquê, Mônica Veloso (desculpe, não dá para chamar de jornalista) parecia estar num baile. Preparou-se para enfrentar a fila de autógrafos. Mas, não havia fila. Só flashes e imprensa. Quem comprou o livro “sobre os bastidores de Brasília” foi um bando de cupinchas. O advogado de Mônica, o dentista, a designer das jóias, a comadre, a amiga citada na página tal, o cineasta amigo que vê em Mônica uma atriz nata. Três horas após o início do lançamento, 10 exemplares do livro “explosivo” de Mônica tinham sido vendidos. O que torna no mínimo curiosa a informação “oficial”: segundo assessores, 104 exemplares teriam sido autografados no restaurante Trindade, no bairro de Itaim-Bibi, onde a especialidade é frigideira de polvo a R$ 22. Convidados e, principalmente, jornalistas consumiram 20 garrafas de espumante e 800 salgadinhos, entre eles 200 bolinhos de bacalhau.

Agora, Mônica tem quem fale por ela: assessora, agente, empresário, assessora de empresário, e departamento de marketing. Na véspera do lançamento, a pressão era tanta que Mônica estava no hotel, de cama, com “uma virose”, segundo Lu, a chefe das assessoras. O livro foi escrito muito rapidamente. Pelo texto final, pode-se concluir que foi escrito “nas coxas” (e que coxas). Tudo para vender no Natal, segundo Mônica. Quando uma repórter quis saber se esperava vendas expressivas, ela exclamou: “Deus te ouça! Tenho duas filhas para criar!”. O livro custa R$ 34,90, e é publicado pela Editora Novo Conceito. Até a página 117, Mônica descreve Brasília como se fosse uma colegial adolescente, e fala de seu sucesso na TV Globo como “a musa do Planalto”. Cita Clarice Lispector sem a menor cerimônia. As observações de Mônica têm, no mínimo, pouca complexidade: “Gente é coisa que às vezes não se vê em Brasília. Ao menos se locomovendo sobre as pernas”. Ou: “Quando você se deixa levar pela energia da natureza, percebe a religiosidade sussurrante que viaja com o vento de Brasília”. E ainda: “No começo, Brasília não tinha voz, alma ou sentimento, pois vivia em uma arte alienígena, em um olhar estrangeiro sobre o que ela ainda não era, mas deveria ser”. E então?

Essa primeira e alentada parte do livro, tão injustamente ignorada pela grande imprensa, revela muito de Mônica. Revela, por exemplo, por que a ex-amante de Renan considera o auge de seu resgate moral ter posado para a Playboy. É verdade. Está ali seu verdadeiro talento, indiscutível. E que lhe rendeu um cachê de R$ 400 mil. Mônica encerra o livro com uma cena emocionante: ela viu, na rua, que estava em duas capas de Playboy simultaneamente. A dela e a da edição especial de fim de ano. “Foi uma emoção confusa, êxtase e medo juntos”, escreve. Ok, mas ela estende sua emoção a todas as mulheres: “Só por ter dado uma injeção de amor próprio em minhas companheiras de sexo, o trabalho para a Playboy teria valido a pena”. Menos, Mônica, menos. O ensaio de nus também lhe trouxe “a possibilidade de ser ouvida”. “E mostrar meu caráter, minha cultura”. Assediada por jornalistas, elogiada por colunistas, Mônica caiu na armadilha. Começou a se levar a sério como “a mulher que abalou a República”. E resolveu escrever profissionalmente, coisa que nunca tinha feito na vida – ela só lia na TV o que outros escreviam.

Pela contracapa e pela orelha de “O Poder que seduz”, já se tem uma idéia da qualidade do conteúdo. É um amontoado de clichês de deixar constrangido qualquer leitor que não seja amigo ou parente de Mônica Veloso. Na contracapa: “Os tentáculos cor-de-rosa da sedução infiltram-se pelas relações. Lascivos, eles cingem o lobista e o político em um mesmo abraço, assim como entrelaçam jornalistas e parlamentares. A jornalista (sic) Mônica Veloso, bela e talentosa, viveu esse mundo intenso de anseios e sensações que permeia a vida na Capital da República”. Muito excitante. Ainda segundo a contracapa, Mônica deseja com o livro “semear o hábito da discussão entre os brasileiros”. Sobre a autora, a orelha a classifica de “jornalista, radialista e professora”. Ela seria precursora da tendência multimídia. “Ao mesmo tempo em que trabalhava na tevê (como apresentadora), Mônica se formou em jornalismo pela faculdade CEUB, apresentou programas de rádio, montou as primeiras lojas de ponta de estoque de grife em Brasília e ministrou cursos”. Um fenômeno. Nunca entrevistou ninguém. De acordo com a orelha, “Mônica montou também uma produtora de vídeo que atuou intensamente em marketing político”. Isso deve ter dado à morena o know-how para ter casos com políticos influentes.


Na capital, até hoje, é chamada por conhecidos de “alpinista social”. Não ficou no meio da escalada. Contou com a ajuda inestimável do amante Renan Calheiros – chamado de “bobo” pela esposa Verônica. Foi Renan quem tornou Mônica conhecida no país, como “a gestante” de Maria Catharina, agora com três anos. Da primeira imagem de mulher fatal com óculos escuros no carro, em maio deste ano – quando estourou o escândalo das pensões pagas por Renan com ajuda de um lobista da construtora Mendes Júnior – até agora, Mônica já viveu bem mais do que 15 minutos de fama. Parece feliz. Vai ganhar um programa de televisão. Provavelmente de entrevistas. Ela diz que pretende se inspirar em Marília Gabriela.


O prefácio do livro de Mônica é assinado pelo psicanalista Luiz Cuschnir, “precursor do Masculinismo” (!!!). Ele pontifica não ser coincidência que “a palavra Poder é masculina e a palavra Sedução é feminina”. Daí em diante, ele desfia pérolas como “um amor desfeito tem o poder de uma bomba de alto potencial bélico”. E, em defesa de Mônica: “A mulher, quanto mais bonita, tem de ressaltar seu potencial cultural, profissional e ético, para não ser colocada no rol das que se aproveitam da beleza para galgar seu espaço como Ser em sua totalidade”. Muito apropriado para a autora. Sobre o romance com Renan, diz que Mônica “corria o risco de estar sujeita a um cativeiro emocional”. O psicanalista termina seu prefácio com um conselho: que a mulher admire o homem “como homem e não como um ser mágico e encantador, um príncipe que a libertará de um castelo que a protege do mundo malvado”.

Mônica reclama da “exposição negativa” e diz que, com o livro, quis dar a “versão verdadeira” do romance com Renan Calheiros. Compara seu livro aos Ensaios do nobre francês Michel de Montaigne em 1580, por misturar “notícias e comentários”. Na apresentação, Mônica escreve que o tom de seu livro é de “crônica, quase poesia”, seja lá o que significa esse novo gênero. Mônica diz que amou loucamente Renan. Mas, por precaução, gravou conversas com ele quando ainda estava grávida. O mais impressionante é o tom abertamente piegas do livro, não as revelações. “Música, perfume e um certo torpor. Champanhe na mão, conversávamos e sorríamos após o jantar (na casa do senador Ney Suassuna). Havíamos brindado por mais um ano, o intenso ano de 2002. Do jardim, apreciávamos a noite de Brasília, o céu riscado por fogos e luzes, miríades de cores e chuvas de prata abençoando a cidade”. É de doer.

Pelo livro, ficamos sabendo que Renan fingia que ia se separar, e que, no início do namoro, “ele estava meio gordinho, mas fez dieta”. Ficamos sabendo também que o casalzinho ia a festas, que Mônica era tratada “com deferência” no Senado, que para o Renan ela era “uma rosa única entre milhões de rosas”, que o presidente do Senado cantarolava “Eu sei que vou te amar” de noite ao telefone, e que queria pular carnaval de rua com ela na Bahia. A “música marcante” do casal era do filme Lisbela e o Prisioneiro – fácil saber quem era quem – e o refrão favorito: “agora, que faço eu da vida sem você?”. Mônica chamava Renan de “docinho”, “de tão meigo que ele era”, mas o senador entrou em pânico quando ela disse estar grávida. Mônica escreve que amou Renan “com a alma, com tudo que há de mais puro no meu ser”. A sensação é que os trechos mais sinceros de seu livro se referem aos do ensaio para a Playboy: “Na primeira foto em que apareceu o bumbum, o (fotógrafo) Duran vibrou com aquela visão de borboletas e flores em uma região tão íntima”.

O que Mônica pratica com esse livro é o que os ingleses chamam de “kiss and tell”. Uma prática de caráter duvidoso: revelar particularidades íntimas de um romance – e tentar ganhar dinheiro com isso. A editora acha que Mônica venderá 100 mil exemplares.

Todos nós, quando apaixonados, somos em algum momento patéticos. Depois de escrever tudo o que escreveu, Mônica deu entrevistas no lançamento dizendo, entre sorrisos posados e sob maquiagem pesada, que “respeita muito o Renan”. Ela se considera “muito reservada”, e por isso não quer expor a vida pessoal, em defesa de sua “privacidade” e a de suas filhas. Então, vamos combinar que acreditamos em Mônica e nos seus cílios imensos.

Minha avó chamaria Mônica de “lambisgóia” ou de “sirigaita”. Mas, minha avó não é mais viva, e, hoje, esses termos caíram em desuso. Então, digamos que Mônica é, como escreveu Arnaldo Jabor, “o único bem declarado de Calheiros, que apareceu de fato”. Nada de bois magros e fantasmas, nem cheques falsos ou rádios de laranjas. Uma mineira de carnes opulentas, que, ao fim do livro, constata “que a vida caminha mesmo em círculos”. Escreve a ex-amante de Renan no parágrafo final: “A essência que cada um carrega dentro de si, por mais sufocada que seja, florescerá um dia para iluminar nossas escuridões e varrer nossos medos, como o sol vermelho e o vento noturno do Planalto Central”. Você daria esse livro a quem de presente de Natal?

postado por MIRNA DE LIMA SOARES 11:58:52 AM
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