Chutômetros e afins
Finalmente, o Brasil nos devolveu a alegria de torcer e, felizmente, com um pouco mais de tranqüilidade. Porque vencer, vínhamos vencendo. Só não tínhamos placares confortáveis e sequer apresentávamos um jogo bonito.
Na última quinta-feira, na partida contra o Japão, o Brasil lavou a alma e com um elenco formado basicamente por reservas. Inicialmente, eram cinco em campo. Depois, a Seleção Brasileira deu-se ao luxo de trocar até de goleiro.
Com essa vitória, foi dado um recado ao mundo futebolístico. O Brasil está mais do que vivo na Copa. Estava apenas esquentando os motores. Podia até não ter encontrado o bom futebol. Mas, após essa partida, parece-nos que definitivamente saiu de campo de mãos dada com ele.
Claro, devemos ter calma. Temos pela frente a gana de Gana. Mas é inegável que Ronaldo, o "fofômeno", desencantou e re-encantou o público. Ele, que vinha sendo extremamente criticado por suas atuações contra Croácia e Austrália, teve uma participação decisiva no jogo contra o Japão. Fez dois gols. Entrou para a história como o artilheiro das Copas ao lado do alemão Gerd Müller, com 14 gols, desbancando Pelé. Foi eleito o melhor em campo pela Fifa e, de quebra, fechou literalmente a boca de meio mundo (ou mais), mostrando que é um jogador de peso.
Aliás, os comentaristas, narradores e outros supostos experts no assunto são um "espetáculo" à parte nesta Copa do Mundo. Dizem que mulher não tem vez nesse meio e de fato é verdade.
A jornalista Fátima Bernardes, apresentadora da Rede Globo, é tratada como um bibelô. Seus comentários são tratados com desdém. Galvão Bueno humilhou-a em rede nacional quando foi apresentada a escalação oficial do Brasil, dizendo - em outras palavras - que ela não era especialista no assunto e que, portanto, o espectador deveria perdoá-la pelas "bobagens" que estava dizendo.
Depois, o mesmo Galvão criticou a entrada de Fred, faltando alguns minutos para acabar a partida contra a Austrália. Ele excomungou Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira. Disse que não fazia sentido trocar um atleta no finzinho do jogo. O cara marcou o gol, na seqüência, e ele teve de engolir calado tudinho que havia dito.
E não é só isso. Quem assiste às mesas-redondas vê que não há realmente espaço para as mulheres, à exceção de Soninha, que bota muito marmanjão no chinelo. A juíza Ana Paula também aparece falando sobre a arbitragem e jogadas duvidosas, mas é nítido que a presença dela se deve muito mais pela "beleza" que pelos "brilhantes" comentários.
Na verdade, esse é um cenário completamente dominado por homens. Homens esses que dão um verdadeiro show. Show de "chutômetros", "achômetros" e sei lá eu mais o quê. Como perguntar não ofende: quem é que não entende mesmo de futebol?
Aliás, eu concordo plenamente que lugar de mulher é na Copa. E, de homem é na cozinha. Tenho uns amigos que ultimamente têm cozinhado muito bem, obrigada.
Mirna de Lima Soares é jornalista, torcedora corintiana fanática e apaixonada por futebol
* O texto acima me foi encomendado por um veículo de comunicação. Como nem todos terão acesso de outra forma, decidi publicá-lo aqui, mesmo sabendo que depois disso muita bola já rolou.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 6:27:21 PM
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Terça-feira, Junho 13
Rumo ao hexa
Como todos que me conhecem sabem, sou fanática por futebol. Deve ser porque nasci neste mês, mês de Copa do Mundo.
Minha mãe, Marilene, conta que, quando nasci, do quarto do hospital, ela ouvia as comemorações dos jogos da Copa (ano do tri) na avenida Paulista (sou paulistana).
Meu pai, João, ex-jogador de futebol e goleiro, diz que se eu tivesse nascido menino meu nome seria Gilmar, em homenagem ao goleiro da Seleção, na Copa de 70.
Meu avô por parte de mãe, Aristides, morreu em 1977 ao gritar gol do Corinthians. O time saía de uma fila de 23 anos. Ele se emocionou e... Jeito mais gostoso de morrer, fala sério.
Quando adolescente, sonhava ser jogadora de futebol. Passava o dia inteiro na praça, em frente de casa, jogando bola com minha irmã mais velha, Clau; outras duas amigas - Adriana e Flávia; meu irmão, Dum; e mais um monte de meninos, Serginho, Quinho, Pirão, Punk, Rogerinho, Fertilite...
Já ia me esquecendo. Tem ainda meu filhote, Breno, que nasceu no ano do tetra (1994).
Acho que isso tudo explica um pouco minha paixão. Hoje, para mim, é dia de festa e estou extremamente ansiosa. Já li tudo ou quase tudo sobre a Copa do Mundo, que começou na sexta passada (9/6). Aliás, de tudo, o mais divertido, foi o texto da Bil (Maria Elena Covre), no Bom Dia hoje (13/6). Vamos ver se o bom humor dela continua assim até o fechamento do jornal, em dia de jogo.
A seguir, o texto da Bil:
Abaixo Raica e Pelé
Sem nenhum pudor, amo essa alienação que contamina as pessoas em época de Copa do Mundo.
Acho o máximo o clima de euforia que coloca no mesmo patamar desdentados, favelados, doutores e intelectuais quando a Seleção Canarinho entra em campo.
E que nenhum mal-humorado, mal-amado ou revoltado se atreva a nos patrulhar. Afinal, somos o melhor do planeta-bola.
Tamanha é minha empolgação nesse período, que sobrevivo sem dar vexame a qualquer mesa-redonda de boteco.
Graças à preciosa colaboração do meu marido, Elvis, não corro o risco de dar gafe achando que quadrado mágico é o mais novo jogo educativo da Estrela ou de disparar um quatrocentos e quarenta e dois diante da expressão 4-4-2, o esquema tático do Parreira.
Mas meu entusiasmo é limitado. Falta-me interesse suficiente para lições mais complexas, como a tal regra de impedimento, tão desnecessária na minha opinião.
Mulher é mais prática. Bola na rede é gol e pronto. É só partir para o abraço. Fundamental avisar, é claro, se resolverem mudar a cor da camisa do Brasil pra gente não correr o risco de torcer pro time contrário.
Agora, falando sério. Não tem amor pelo futebol que suporte alguns exageros. A Copa começou há apenas cinco dias e ninguém aguenta mais ouvir falar do peso do Ronaldo. Balança, pneuzinhos e barriguinha saliente já são questões que nos atormentam demais em qualquer tempo e espaço.
O que dizer então quando descobri, no domingo, que o programa do Milton "mala" Neves ganhou mais tempo? Como se o dia em que o Criador descansou já não fosse, por si só, deprimente o suficiente.
E ainda tem a Raica tentando fazer com que seja "infinito enquanto dure" o seu namoro com o Gorducho (ops...). Mas ninguém merece, de verdade, a overdose de Pelé. Até ensaio sensual o homem fez pela Caras. Ainda se fosse o Raí, vamos lá.
Por isso, aqui vai uma sugestão para nossos queridos editores de esportes: pelo amor de Deus, quando faltar assunto, ocupe o espaço com alguns closes de Beckham, o sorriso do Kaká ou as coxas do Roberto Carlos. A mulherada agradece.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 8:54:06 AM
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