Blog: web com rótulo
Bruno Parodi,
No Mínimo
13.10.2005 | Blog: contração de weblog (web + log). Assunto batido, não? Tentou entendê-lo?
Ao pé da letra, parece apenas uma forma de deixar algo registrado, gravado na web. Apesar da simplicidade do significado, a fama e o burburinho atualmente ao seu redor têm, sim, um sentido: continuar a tal evolução digital. É um passo a mais não só na forma de comunicação on-line, mas também na tarefa de definir e manter laços sociais na rede. Vai além de gostar ou não. Eles já são mais de 100 milhões existentes no mundo e têm a ver com a atual condição da internet. É questão de ser, de estar.
Numa análise mais simplista, é possível relacionar o blog como o passo seguinte a uma série de ferramentas criadas para publicação e hospedagem de sites. Tais utensílios foram concebidos para quem não sabia HTML - linguagem que sustenta os sites - mas queria ter a sua página. Tudo de modo simples e rápido. Bastavam poucas escolhas sobre tamanho e cor de fonte, cor de fundo e mais um clique para que tudo estivesse publicado lá, no ar para quem quisesse visitar. E nessa mágica da programação, o GeoCities foi o primeiro, há anos. Diz a lenda que o serviço só surgiu porque um grande computador sem uso teria sido encontrado à deriva no canto de uma universidade estrangeira. Acabou servindo, então, de hospedeiro gratuito para sites do mundo todo. Gesto de caridade mesmo.
Pouco tempo depois, o modelo do GeoCities já estava amplamente consolidado. No seu rastro, veio uma série de serviços idênticos, oferecendo soluções e espaço para quem quisesse ter sua página pessoal on-line. E, mais uma vez, a briga entre concorrentes do mesmo segmento foi benéfica ao usuário, fazendo com que as ferramentas disponíveis para produção e edição dos sites - tudo de modo on-line e através de qualquer navegador - fossem ficando mais e mais sofisticadas.
Apesar de todas as funcionalidades dos sistemas oferecidos até então, ainda faltava algo no mercado que pudesse popularizar ainda mais o acesso à produção de conteúdo para a web. A questão não era nem tecnológica, mas sim de produto, de forma, de proposta. E é justamente nesse capítulo que aparecem os blogs - justiça seja feita: muito em função do Blogger, atualmente uma marca do Google. Sim, "aparecem", pois o uso da web como forma de registrar informações pessoais, ou de qualquer outra conotação, tem datas antiqüíssimas. O segredo do ¿novo blog¿ estava na embalagem, novamente na proposta. Qualquer usuário, a partir de então, poderia ter o seu cantinho na web para falar sobre o que quisesse de um modo ainda mais fácil de usar e atualizar.
Recursos simples e banais tiveram considerável importância social para os blogs, como a possibilidade de comentar um conteúdo publicado e a capacidade de dar notas para os mesmos. Com eles as páginas ganharam interatividade, vida, polêmica, participação. Ganharam comunicação. A integração com o RSS, tecnologia que permite que qualquer um seja avisado sobre novidades em um site, também teve a sua parcela nos méritos da adesão aos blogs, ao lado de tantos outros detalhes que renderiam uma enciclopédia.
É bem verdade que os blogs acabaram virando sinônimo de diários pessoais - até porque a maioria deles tem esse objetivo. Mas escrevê-los serve como terapia para a metade dos mais de 600 blogueiros entrevistados em uma pesquisa encomendada por um provedor norte-americano. É gente de todo tipo a contar como acordou, o que comeu, com quem brigou. Além disso, 31% procuram blogs em momentos de carência e ansiedade, contra 5% que contratam os serviços de psicólogos e especialistas da área. Somente os conselhos de amigos e da família ganham prioridade em relação a ele. Curioso? Não, parece apenas uma fresta do que se vê na vida moderna.
O assunto foi ficando tão sério e complexo que o termo blogosfera apareceu para exprimir o mundo dos blogs. Espécie de ciência própria, que engloba suas características, seu comportamento, suas regras. É uma comunidade com várias outras, menores, no seu interior. Todas interligadas, inteiramente linkadas. Na blogosfera, termos novos não faltam. Tecnologias e recursos, também não.
Nesse cenário, incontáveis são os exemplos de endereços que dispõem de qualidade diferenciada e de posicionamento distinto. Não são mais somente diários pessoais. Como reflexo espontâneo do cotidiano, agora eles falam sobre humor, esportes, negócios, mídia, sexo e todo e qualquer tópico inerente ao ser humano. Nesse processo, era questão de tempo para que a indústria que circula em torno da internet mirasse seus olhos neles. Passaram a atrair e fabricar dinheiro. É a prova de que blogs podem ser fontes de conteúdo e entretenimento confiáveis e que merecem o profissionalismo.
Assim como tudo, existem blogs bons e blogs ruins. Podem ser divertidos ou extremamente frios. Interessantes ou patéticos. Quantos sites "convencionais" você já não visitou e deixavam a desejar, ou tinham um tema completamente desprezível? E quantos outros não eram espetaculares? Isto vale para os blogs também. Vale para qualquer coisa.
Muitas vezes uma página que recebia o rótulo de blog perdia a sua seriedade. Seria, então, uma questão de nomenclatura? Se recebesse outro nome poderia "ser" melhor? Ou agora, com o capital procurando os blogs, eles podem ser valorizados e reconhecidos como sérios - aqueles que se propuseram ser sérios?
Tudo isso é a web, nada mais do que uma parte da web, uma forma dela. Fica cada vez com mais cara do mundo desplugado. Não fosse pelos blogs, todo esse conteúdo, todo esse jeito, viria à tona por outro meio, de outra forma. Ou, até, com outro rótulo. E ainda bem que ele está on-line.
A força do vento
Estou impressionada com o poder de persuasão de J. Hawilla. Antes de ele escrever o editorial na edição de ontem do Bom Dia, todos concordavam que a cobertura do jornal sobre o caso dos jovens de classe média-alta envolvidos em suposto esquema de associação ao tráfico de drogas era a melhor na mídia impressa.
Ouvíamos dizer que finalmente havia um jornal de coragem que não dava só o nome de pobres presos, mas também de membros da classe mais abastada, sem se esconder atrás de iniciais. Houve uma corrida às bancas. Todos queriam saber quem eram os "filhinhos de papais" envolvidos no submundo do crime.
De repente, todos parecem ter descoberto que houve irresponsabilidade na cobertura. Na verdade, levaram um susto com o que viram. Descobriram que pegaram apenas a ponta do fio da meada e ela poderia levar mais longe do que alguns poderiam querer. É lamentável que os pensamentos mudem conforme o vento.
Eu continuo considerando a melhor cobertura. Se faltou aprofundamento, é outra história, mas ainda assim o jornal Bom Dia se sobressaiu em relação a outros veículos. Resta agora à polícia continuar com seu trabalho, menos espetacularizado, e provar que Rio Preto não é uma província que sucumbe à pressão.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 11:58:21 AM
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Segunda-feira, Outubro 10
Honestos são os outros!
Nem todo brasileiro com DNA de honesto anda por aí indignado com a roubalheira dos que não tiveram a mesma falta de sorte genética. O grito dos excluídos da maracutaia começa a dar voz a uma certa revolta com o legado da honradez e da decência. Gente que tem plena consciência do quanto, no Brasil de hoje, ser íntegro atrapalha, quando não inviabiliza totalmente, qualquer chance de ascensão social e crescimento profissional do cidadão. Sejamos francos: a correção moral é, sem nenhum juízo de valor, um péssimo negócio. Só os pobres muito hipócritas continuam enchendo a boca para dizer o que não são capazes de fazer para ter uma vida digna. Enfim, enquanto o brasileiro não perder essa comiseração de se ver desgraçadamente honesto, vamos chamar de indignação a raiva que dá não ter acesso a uma bocada na vida.
Sem querer fazer humor negro com o "basta!" alheio, existe uma maneira engraçada de encarar o estado de coisas a que chegamos. Ri de me acabar assistindo ao espetáculo "Como Chegamos Aqui? - A História do Brasil Segundo Ernesto Varela" (em cartaz no Rio de Janeiro), especialmente quando o genial personagem-repórter de Marcelo Tas arranca a seguinte declaração bem-humorada de um motorista de táxi carioca (ô, raça!): "Não fosse essa dignidade, esse caráter todo que herdei do meu pai, eu estaria rico". Não teve, de forma alguma, intenção de maldizer o velho. Ser honesto - não importa se por parte de pai ou de mãe - é uma droga danada, convenhamos! Em geral não tem cura. Há um certo tipo de gente, o taxista supracitado decerto faz parte dessa cadeia genética, condenada a dar errado na vida por fazer tudo direito. Não dá para achar isso bom!
Tenho a impressão que depois de uma certa idade o brasileiro, se tiver oportunidade, manda às favas essa compulsão pelos bons costumes. Acho que foi mais ou menos o que aconteceu com a cúpula do PT quando teve acesso à mufunfa. O partido não deve se envergonhar disso! Todo mundo tem um primo, um tio, um cunhado meio Silvinho Pereira na família. Como dizia o querido Zózimo Barrozo do Amaral, em momento de puro delírio politicamente incorreto, " durante 50 anos construí um patrimônio moral. Ele agora está à venda". O taxista entrevistado por Ernesto Varela faria o mesmo se pudesse se desfazer da maldita herança paterna. Marcelo Tas faz um bem danado ao jornalismo quando desconstrói os bons costumes da imprensa e seu velho círculo vicioso de produção de notícias: gente que não sabe falar dizendo coisas para gente que não sabe ouvir, que escreve coisas para gente que não sabe ler (a definição é, salvo engano, de Frank Zappa para a revista "Rolling Stone").
Ernesto Varella é aquele que nos anos 80 perguntou a Maluf se era verdade o que todo mundo dizia, "o senhor é corrupto?" Gostaria de perguntar a Lula, por exemplo, "por que o senhor se recusa a aprender português?"; e a Roberto Jefferson, "por que o senhor não começou a falar quando ainda era gordo?" Merecia um espaço mais generoso na TV aberta, como já teve no "Fantástico". Se o Brasil não é um país sério, como é que a imprensa vai ser?
Por falar nisso, um outro jornalista amigo dessa coluna presenteado pela Warner com o ipod de divulgação do novo trabalho de Maria Rita está tentando há dias devolver as músicas da cantora gravadas no aparelhinho. Ninguém lhe dá ouvidos! É de gente assim que o Brasil precisa.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 6:47:59 PM
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Quarta-feira, Outubro 5
A profissão
Sem palavras para fazer qualquer comentário, sugiro que leiam o texto a seguir encaminhado a mim pelo Roger (Rogério Castro) "só para reflexão". O pior é que isso não acontece só na
Veja.
O jornalismo covarde de Veja
e o silêncio profissional
Por: Renato Rovai
Há algum tempo a revista
Veja vem se esmerando em publicar pseudo-reportagens que desancam personalidades públicas, movimentos sociais e partidos políticos que tenham qualquer viés progressista e de esquerda. Para isso, vale tudo. Porque isso é liberdade de imprensa, sustentam seus editores.
Na edição (1.925) desta semana,
Veja decidiu fulanizar o debate a respeito do desarmamento fazendo de sua capa um cartaz pelo voto no "não". Entre os "sensacionais" argumentos para defender tal tese, o panfleto semanal dos Civita diz que "Antonio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano, listou o desarmamento da população entre as providências essenciais para garantir o controle totalitário" e que "Hitler desarmou os alemães e os povos dos países ocupados, mas distribuiu armas entre milícias fiéis ao regime". Ainda: "Nas zonas rurais brasileiras, longe dos postos policiais, [as armas] servem para sitiantes e fazendeiros defenderem suas propriedades de assaltos, invasões do MST e dos ataques de animais predatórios a seus rebanhos e criações. É por isso, com certeza, que os sem-terra apóiam o desarmamento". Evidente que não vale a pena polemizar com argumentos de impressionante nível, mas por outro lado, é preciso começar a fazer algo para combater esse tipo de jornalismo farsante e sangue azul de
Veja.
Quem perde credibilidade com isso não é só o veículo. Ao aceitar silenciosamente que o senhorio use a seu bel-prazer um título, desconsiderando os princípios legítimos que permitem recortes de posicionamento à publicação, mas não autorizam a invenção pura e simples de aspas ou teses, quem perde mais é o profissional jornalista.
É por isso que me darei ao trabalho de tratar de dois exemplos desta edição, deixando de lado a aberração maior que foi a capa pelo não ao desarmamento. Quando um Otávio Cabral compara membros do governo à turma do Sítio do Pica Pau Amarelo e escreve assim: "o governo vendeu a mãe, o pai e a mulher no primeiro turno", descreveu um dos coordenadores da campanha de Rebelo, num surto de franqueza. "No segundo turno, ofereceu a irmã mais nova." Não só ele se demoraliza. Ridicularizamo-nos todos. Se esse Otávio Cabral tem coragem de assinar uma matéria cujo enredo é ridicularizar personalidades públicas sem o menor constrangimento e direito à defesa para as partes envolvidas, por que não publicaria o nome de um "dos coordenadores da
campanha de Rebelo". Explico: porque inventou a frase para dar suporte ao texto.
Da mesma forma como faz Diogo Mainardi, na mesma edição. Ele conta sua viagem a Brasília e narra a cobertura da eleição da presidência da Câmara e, ao fim, registra: "Aldo Rebelo acaba de ser eleito. Os mensalistas atiram-no para o alto. Todos os deputados com quem falei hoje - foram mais de trinta - o consideram um perfeito idiota. Por isso estão tão felizes. Por isso, não o deixam se espatifar no chão".
Por que a covardia de Mainardi não lhe permite dar nome àqueles que consideram Aldo um perfeito idiota? Porque mente. Ele não só não ouviu isso de trinta deputados, vou além, nem falou com quinze enquanto por lá esteve. Por motivos óbvios, eu e tantos outros colegas jornalistas, também estávamos em Brasília no dia das eleições da Câmara. Espero que outros também o digam.
Vi esse Mainardi como um ratinho, encostado no fundo do plenário, por horas, falando baixinho e olhando pro chão. Parecia ter medo que alguém lhe fosse cobrar honestidade ou coisa do gênero. Algo ridículo. Deu umas zanzadas pelo salão verde e voltou para o seu esconderijo. Depois dessa sensacional "missão jornalística", foi para o seu laptop e "corajosamente" escreveu aquilo que o chefe adoraria ler. E ofendeu a quem o chefe gostaria de ofender. Sem ter compromisso com o real, só com sua corajosa missão de agradar a quem lhe garante a coluna.
Esse jornalismo farsante e sangue-azul de Veja não atenta apenas contra os valores da democracia e da ética profissional. Ele ainda abre o caminho para que outros veículos passem a fazer o mesmo e expõe ao ridículo a imprensa enquanto instituição e o jornalismo como profissão. Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso.
VEJAM:
www.revistaforum.com.br
Comentário
A
Veja tem todo o direito de se posicionar a favor da manutenção das armas, mas poderia fazer uma matéria um pouco menos sensacionalista. A revista também pisou feio na bola no caso dos I-Pod enviados a críticos musicais junto com o material de divulgação do novo trabalho da Maria Rita. Aconselho aos coleguinhas ler a coluna do Júlio Garcia, no Bom Dia.
Ricardo Brandau | 07-10-2005 10:40:00
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 8:08:55 AM
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Terça-feira, Outubro 4
Antunes no PSB
Os jornais de hoje confirmam a notícia de que Manoel Antunes foi para o PSB, do deputado estadual Valdomiro Lopes da Silva Júnior. Antunes também falou de sua candidatura a deputado federal. Muito estranho, já que o médico Renato Silva também ingressou no partido com o mesmo propósito. Mais estranho ainda quando se sabe que Renato Silva não entrou em outro partido, porque lá já havia um candidato a deputado federal. Este deve ser mais um indício de que a candidatura de Antunes a federal não deve sair do blá-blá-blá.
Bem que tentou voltar
Diz a "lenda" que antes de ingressar nas fileiras do PSB, o mais novo socialista de Rio Preto teria batido à porta do PMDB, numa tentativa de voltar ao antigo partido. Recebido pelo ex-deputado e ex-secretário de Estado Vergílio Dalla Pria Neto, não houve acordo. Vergílio argumentou que não dava, já que Antunes o estava processando.
O ex-pefelista não se deu por satisfeito e foi até São Paulo junto a Valdomiro falar pessoalmente com Orestes Quércia, que não titubeou. Bateu um fio para Marcelo Figueiredo, presidente do PMDB em Rio Preto, que expôs a situação. Sem alternativa, Antunes teve de se filiar ao PSB.
Brasília ou Rio Preto? Eis a questão...
Não só os adversários políticos, mas até mesmo os mais próximos de Antunes dizem que, quando prefeito, era incapaz de ir até São Paulo, se preciso fosse, em busca de verbas. Era de ficar esperando cair no colo. Imaginem então ele candidato a federal e eleito, com essa paixão avassaladora que diz ter por Rio Preto, como faria.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 8:08:42 AM
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Domingo, Outubro 2

Volpato e Sócrates
O cineasta e o doutor
Domingo pela manhã, a TV costuma ser complicada. Canais fechados só têm programa de venda de produtos. Então, você fica zapeando. Acabei caindo na TV Cultura, no programa "Viola, minha viola". Parei para assistir. Não porque adoro viola, mas porque o entrevistado era ninguém menos que Sócrates, o grande "Doutor" do futebol e do meu Corinthians. Fiquei mais empolgada ainda com o programa, quando ele começou a falar do nosso (é que é rio-pretense) cineasta Reinaldo Volpato. Ele foi colocado no céu tanto pelo ex-jogador quanto pela apresentadora.
A forma carinhosa com que Sócrates falou de Volpato dá para ter uma noção do que será o documentário que o cineasta está fazendo sobre a vida do jogador, tamanho o grau de sintonia entre eles. Primeiro, Sócrates disse que Volpato é conhecido em Ribeirão Preto por "Cachaça". No entanto, o dele é com x e dois esses, brincou.
A apresentadora relembrou que Volpato foi diretor do programa e disse que ele era muito competente e que Sócrates estava em boas mãos.
"_ Mas ele não tá, não", disse o ex-jogador.
"_ Não?", questionou intrigada a apresentadora.
"_ Nada disso. Ele chegou a Ribeirão e quase morreu com a gente. Ele esperava que fosse uma coisa tranqüila, um filminho do Magrão (outro apelido de Sócrates). Mas eu disse: Volpatão, aqui é só festa, meu filho. Se tem de entrar no clima. A gente vive para fazer festa, porque nós temos de ser felizes", contou.
Enquanto Sócrates falava, foi mostrado o Volpato no fundo do auditório, ao lado de um câmera, muito provavelmente pegando um lance para integrar o documentário, todo sorridente e cheio de caras e bocas.
Por aí dá para ver que quem conhece o Volpato de perto sabe que ele se enquadrou rapidinho ao clima de Sócrates. Volpato, que cuidou do programa de TV da campanha vitoriosa do prefeito Edinho Araújo, em Rio Preto, e de Afonso Macchione, em Catanduva, é muito alto-astral. Pirado de tudo, mas muito gente boa. Fez umas quinhentas festas de despedida, quando foi de vez para Ribeirão Preto fazer o documentário.
Sócrates ainda cantou uma música, feita por ele em homenagem a seu pai: "Retrato do Velho", ao lado de Maurício e Marcelo. Emocionado, disse que foi a primeira vez que ouviu a música depois da morte de seu pai, ex-ferroviário.
Em conversa por telefone, com Volpato, ele me contou que está apaixonado pelo projeto e que o documentário está inscrito num concurso do BNDES. Também disse que já tem encontro agendado com o Bradesco, para tentar patrocínio. Sucesso.
Ah! Para quem quiser ver, o programa será reapresentado no próximo sábado, às nove da noite, segundo o Volpato.
O craque
Sócrates é sem dúvida alguma um dos maiores craques do futebol brasileiro de todos os tempos. Ele ficou famoso não só pela sua técnica apurada, habilidade e seus inesquecíveis toques de calcanhar. Mas também se sobressaía sua inteligência dentro e fora de campo. É um exemplo no mercado esportivo, pois além de craque, conseguiu se formar em medicina. Na entrevista ao programa "Viola, minha viola" disse que seu sonho é que todo jogador de futebol tenha acesso à educação e valorize a educação. "Porque são as pessoas mais ouvidas neste país. Muito mais que qualquer outra. São referências nacionais... Se meu ídolo não estudou, como é que eu vou estudar?", observou.
Pelo discurso dele confirma-se que Sócrates é uma pessoa com convicções políticas. Ele foi líder da famosa "Democracia Corintiana", uma experiência única no gênero onde o futebol profissional era gerido em parceria entre jogadores e a diretoria do clube. Também jogou na Itália no time da Fiorentina.
Sócrates, na verdade, é um dos responsáveis por eu ser apaixonada pelo futebol. Em 77, 78, eu ainda era uma menina de sete anos, mas já sonhava ser jogadora de futebol, como ele. Não deu, mas a paixão pelo esporte permanece. Sempre.
* Detalhe: ao procurar foto de Volpato na net, olhem só o que encontrei:
Volpato (em pé, à esquerda) e o presidente Lula (com a camisa do Corinthians)
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 1:54:04 PM
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