Mudança de chapa
Na manhã de ontem, o PPS fez sua convenção e homologou a candidatura à reeleição de Edinho Araújo a prefeito de Rio Preto. Não pude acompanhar toda a reunião, que aconteceu na Câmara Municipal (o Breno estava jogando). Cheguei já no final, mas pude constatar que a galeria estava lotada e o clima era de festa.
A convenção terminou com um discurso inflamado de Edinho. No ar, ficou a sensação de que a dobradinha com Maureen Leão Cury (PT) não se repetiria. O PT deveria indicar outro nome. Nos corredores da Câmara, o que era apenas uma suspeita se confirmou.
Membros do partido informaram que haveria uma série de reuniões até a convenção que ocorre na quarta-feira para decidir definitivamente quem seria o candidato a vice na chapa de Edinho Araújo. Maureen seria de fato rifada.
De acordo com esse membro do PT, há uma preocupação de que, se reeleito, em 2006, Edinho deixe o governo para se candidatar a governador ou vice-governador, caso haja a possibilidade. Nesse caso, o vice assumiria. "Não podemos deixar a cidade por dois anos nas mãos do Cury (José Cury Neto, marido da atual vice-prefeita Maureen)", disse o petista.
Novo nome
Para o lugar de Maureen Leão Cury, o PT deverá indicar o ex-vereador, o professor Eduardo Nicolau. Hoje, pela manhã, foi feita a primeira da série de reuniões do partido antes da convenção, que acontece na quarta-feira, na sede do PT.
O encontro foi pesado. Maureen foi acusada por membros do partido de ter sido conivente com o prefeito Edinho Araújo (PPS) e não ter exigido maior participação do PT no Governo Progressista.
O presidente do PPS, Cláudio Leme, que apareceu no encontro para levar um abraço - como costumam dizer - foi posto para fora, sem a menor cerimônia. O nome de Nicolau também foi posto em votação e deverá ser ratificado na convenção.
Na ânsia, o PT pode estar cometendo um erro estratégico. Eduardo Nicolau está fora de cena há pelo menos 10 anos. Enquanto que Maureen desenvolveu um bom trabalho ao longo dos últimos três anos e meio. Foi uma vice-prefeita atuante. Ganhou prêmios pelo Exterior afora e carregou a bandeira do Orçamento Participativo.
Estratégia
Uma avaliação feita por membros de uma das facções do PT aponta que a indicação de Eduardo Nicolau faz parte de uma estratégia do candidato a vereador João Paulo Rillo, filho do secretário de Serviços Urbanos, Marco Rillo. Nicolau, que é do grupo de João Paulo, faria o papel de prefeito-tampão, esquentando a cadeira para o petista, caso Edinho Araújo realmente interrompesse o segundo mandato no meio.
Ficaria mais fácil para João Paulo articular sua candidatura a prefeito com alguém de seu grupo no comando do Executivo. Mas eles se esquecem que no meio do caminho tem uma eleição para prefeito e outra para vereador. Eles (inclusive João Paulo) precisam primeiro se eleger. Não tem nada definido.
Comentário
Mirna,
minha querida, por te admirar é que vou te dar algumas informações para que o próximo texto sobre o PT não beire ao descaso. Reduzir a indicação do Eduardo Nicolau à vontade do João Paulo se não for má-fé é desinformação.
Veja só, eu fui um dos que articularam a indicação do Eduardo. Também o foram o Carlos Henrique de Oliveira, Valdir Ferreira (que aliás é candidato a vereador), o Matsuel (sec. do Bem-estar), a Valéria Fraga (Leca), o Silvestre (ex-presidente do PT), o Ferri (vice-presidente do PT), o Joaquim (presidente do PT), Eduardo Franco (diretor do Sinsprev), Luciana Bonosque (diretora de escola), Beth Amantea (assessora da Sec. de Educação) e mais 12 membros do diretório do PT, ou seja, todos nós estamos pensando o PT numa nova perspectiva.
A companheira Maureen cumpriu dignamente todas as tarefas a que se propôs e temos certeza que muito ainda há de contribuir com o PT. No entanto, é chegada a hora de avançar e é o que os 53 delegados de um total de 54 votaram ontem e decidiram.
Um grande beijo.
Edmilson Melo
28-06-2004 08:56:26
Meu comentário do comentário
Parece-me que as coisas começam a clarear. Primeiro, devo esclarecer que não há má-fé de minha parte. O que acontece é que, realmente, não detenho todas as informações e sequer sei tudo o que se passa na cabeça desse grupo. Escrevi baseada em informações que até agora tinham vindo a público.
O que você acaba de escrever, Edmilson, são novidades para mim e, sendo assim, gostaria de saber o que é essa nova perspectiva na qual a vice-prefeita Maureen Leão Cury não se enquadra. Aliás, isso precisa ficar bem claro para a população. Não revelar o que está por trás dessa perspectiva sim é má-fé.
Houve um momento, isso há quatro anos, em que Maureen era o nome perfeito para ir para uma disputa sem perspectivas. Naquela época, medalhões do partido e alguns petistas que sequer faziam parte da vida pública por falta de perspectiva não tiveram coragem de enfrentar as urnas na chapa do então candidato Edinho Araújo (PPS).
Maureen não titubeou. Aceitou a missão. Passados quatro anos e com a possibilidade concreta da reeleição de Edinho e sua possível saída no meio do mandato, ela não serve mais. É a mulher que virou suco.
Não estou aqui para fazer a defesa deste ou daquele nome. Faço apenas uma reflexão do porquê trazer à tona um nome tanto tempo afastado das discussões de nossa cidade. Pelo que sei, Maureen é mulher, leal, trabalhadora, honesta, bem-quista na comunidade, com história no partido e com uma folha de serviços prestados nos últimos três anos e meio. Tem força suficiente para se contrapor a Regina Chueire (PDT) e Ivani Vaz de Lima (PSDB). Portanto, não compreendo que perspectiva é essa a que você se refere e com a qual petistas do porte de Cacau Lopes, Eni Fernandes e Márcio Ladeia não concordam.
Agora, quando digo que Nicolau faz parte do grupo de João Paulo, é porque ele tem sido o porta-voz desse grupo que acaba de se revelar por inteiro. Tanto que quem estava defendendo o nome de Eduardo Nicolau hoje na Rádio Metrópole era o próprio João Paulo, segundo ouvi e pode ser confirmado no
www.nofronte.blogger.com.br, numa análise feita pelo jornalista Ruy Sampaio.
Edmilson, vamos ser honestos. Como já disse, tem muita gente apostando que Edinho não ficará no governo quatro anos e o que está por trás disso tudo é qual facção do PT vai assumir o poder com a saída dele, quem vai dar as cartas nos últimos dois anos de mandato e se cacifar para a eleição seguinte. Repito, não nos esqueçamos de que no meio do caminho tem uma eleição a se vencer.
Antunes, candidato
Obsessão pelo poder ou não, Manoel Antunes (PFL) está de volta. Hoje, pela manhã, seu nome foi confirmado como candidato a prefeito de Rio Preto pelo PFL. Não se sabe ainda quem será o vice nessa chapa, mas que ele a encabeçará isso sim.
A convenção aconteceu no Centro de Convenções da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp). Começou às nove da manhã e terminou quase uma da tarde. O salão estava lotado e tudo transcorreu num clima mais ameno. Em 2000, o desgaste provocado pela escolha do vice no dia anterior levou um PFL abatido para a convenção.
Várias lideranças estiveram presentes:
- o deputado federal Gilberto Kassab (PFL);
- o deputado estadual Rodrigo Garcia (PFL);
- Cezar Casseb (PFL);
- o vereador Dinho Alahmar (PFL);
- o vereador Celso Melo (PFL);
- o vereador Nilson Silva (PFL);
- o vereador Luiz Alberto Andaló (PFL);
- o ex-vice-prefeito Nelson Silva (PFL);
- a presidente do PSDB Ivani Vaz de Lima;
- o deputado estadual José Carlos Vaz de Lima (PSDB);
- o deputado federal Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB);
- Cláudio Marques (PSDB);
- o vereador Claudiney Faustino (PSDB);
- o deputado estadual Valdomiro Lopes da Silva Júnior (PSB);
- o vereador Hubert Eloy Richard Pontes, o Beleloy (PSB);
- o vereador Pedro Roberto Gomes (PHS);
- o presidente do PP, Paulo Paulera;
- o presidente do PMN, Sidney de Paula;
- o presidente do PDT, Jean Dornellas;
- o candidato a prefeito pelo PV, Daniel Caldeira;
- a candidata a prefeita pelo PDT, a vereadora Regina Chueire;
- o ex-vereador e ex-secretário de Planejamento Carlos de Arnaldo e Silva Filho (PDT);
- o ex-vereador e secretário de Serviços Gerais de Antunes, José Raymundo Veneziano;
- o ex-vereador Zezinho de Oliveira;
- Luiz Bottaro Filho, ex-presidente do PDT;
- entre outros presidentes de partidos, como o PSL e o PHS.
Na platéia, também era possível ver pessoas conhecidas, como o escritor e historiador Lelé Arantes (ex-presidente do Comdephact e diretor da Swift, no governo Edinho Araújo); o padre Areovaldo, da Cecap; Carlos Vaz, ex-secretário de Agricultura de Antunes; o ex-presidente da Empresa Municipal de Construções Populares (Emcop), no governo Caboclo, Osni Onofre Alves; e Cícero (PHS), ex-assessor da vereadora Eni Fernandes (PT).
Como em um programa de auditório, a convenção foi comandada por Roberto Toledo. Ele foi candidato a vice de Antunes em 2000. Atualmente, é assessor dos deputados Kassab e Rodrigo. Também foi contratado para fazer a assessoria de imprensa do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto para a atual administração.
Toledo animou a festa. Além de pedir palmas, solicitar ao público que ficasse de pé para receber o "professor Manoel Antunes", também deu seu depoimento. Repetindo um gesto da convenção de 2000, quando era o candidato a vice de Antunes, com a mão no ombro esquerdo dele, disse: "Tenho orgulho de fazer parte deste grupo... um homem que é o espelho de nossa vida...".
Os discursos foram contundentes. O vereador Nilson Silva afirmou que faria uma marcha na zona leste, levando o nome de Antunes. Também foi categórico. "Rio Preto não terá segundo turno. Venceremos no primeiro", disse.
Dinho Alahmar não se estendeu. Contou apenas uma passagem. Lembrou que um dia Manoel Antunes estava com um grupo, jogando truco, e uma pessoa comentou: "O Mané não serve nem para jogar truco. Não sabe roubar".
O deputado federal Gilberto Kassab disse que Rio Preto precisa resgatar seus melhores momentos e elogiou a figura de Antunes. Destacou características da personalidade do ex-prefeito que considera fundamentais: credibilidade, honestidade e capacidade de administrar. Ao fundo, um manezista comentou, referindo-se ao apoio do deputado: "Espero que desta vez seja verdadeiro".
Kassab reafirmou o convite feito ao PSDB para que faça aliança com o PFL. "É motivo de confiança, satisfação e orgulho caminharmos juntos", disse. Também falou que Rio Preto não votou bem nos últimos 4, 8 anos e agora a cidade tem a chance de se recuperar. "Daqui a quatro anos, poderemos dizer: obrigado pela confiança."
A presidente do PSDB em Rio Preto, Ivani Vaz de Lima, deu o tom de como deve ser sua campanha, se entrar na disputa. Elogiou a postura do vereador Claudiney Faustino na Câmara e atacou a atual administração. "Com coragem, sem se vender um só minuto, ele está mostrando a grande corja que governa essa cidade."
O PSDB ainda não definiu se estará na disputa com candidatura própria. Segundo Ivani, ela quer muito ser candidata, mas fará nesta segunda uma reunião com a executiva estadual do partido, em São Paulo, para definir.
A tucana aproveitou para contar uma passagem, que chamou de "causo". Fica a dúvida, já que "causo" tem a conotação de ficção. Vou resumir a história. Segundo Ivani, após perder a disputa de 2000, teria encontrado o empresário Luiz Neves, amigo do prefeito Edinho Araújo (PPS), no aeroporto. Na ocasião, ele teria debochado dela por ter perdido e depois ainda disse que o grupo dele havia feito de tudo para chegar ao poder.
Ivani repetiu por várias vezes a palavra tudo. Chamou a atenção do público e disse que mentir, enganar e não fazer não vale para se chegar ao poder. Segundo ela, entre outras coisas, é fundamental falar a verdade e amar as coisas públicas acima de tudo.
O deputado estadual Valdomiro Lopes (PSB) foi na mesma linha em seu discurso. Disse que não se pode fazer de tudo e usar todas as armas para se chegar ao poder. A sintonia desse grupo é tão grande que ele usou até mesmo o slogan de campanha de Ivani em 2000. Segundo Valdomiro, o esforço deve ser para colocar Rio Preto no "rumo certo".
Ainda tenho mais informações, que irei colocando aos poucos.
Comentário
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28-06-2004 08:21:14
Uma aldeia que pulsa
Mirna de Lima Soares*
Especial para o DHoje
O primeiro Aldeia FIT chegou ao fim. Confesso que escrevo este último texto com certa melancolia. Minhas manhãs e noites serão mais vazias. Foram 11 dias, 16 espetáculos concorrendo, mais um convidado, bar cultural, debates, aplausos, risos, espera, fim. Tudo tão rápido.
O saldo, digo seguramente, foi positivo. Tivemos um panorama de a quantas anda o teatro em Rio Preto e região. Perdi as contas de quantas pessoas vi em cena, tantas outras nos bastidores. Todos dando o melhor de si.
O resultado, em determinados casos, pode ter sido amador. Mas a vontade de cada um é extremamente profissional. Talvez, ainda falte um pouco de traquejo, embasamento. A vantagem é que, mesmo que em meio a disputas, a classe teatral tem se mostrado unida. Muito mais que qualquer outra. E, nos últimos anos, conseguiu garantir alguns avanços em sua área.
A própria internacionalização do Festival de Teatro que, num primeiro momento, soou como um completo afastamento da classe artística em sua realização, hoje, mostra-se como eficaz fonte de reciclagem, conhecimento, aprofundamento nas diversas linguagens, técnicas e tudo mais. Soma-se a isso a parceria com a Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), com a realização de cursos de artes cênicas na Universidade Livre das Artes.
Outra grande conquista está para se confirmar. Durante a premiação na noite de quinta-feira, foi anunciada a possibilidade de se instalar um curso superior de artes cênicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A realização do Aldeia na Universidade/Swift também garantiu um novo palco para a cidade. Tudo converge para que Rio Preto seja cada vez mais referência em artes cênicas não só na região e no Estado. Mas no País. E quem ganha sempre é a população.
As crianças das escolas municipais, por exemplo, garantiram presença diária durante a apresentação dos espetáculos infantis do Aldeia. É a formação de um novo público para teatro.
Podemos dizer que o Aldeia nasceu com grande força. Força para garantir a construção de um novo teatro em Rio Preto, de mostrar que a classe teatral quando se dedica e cobra do Poder Público - que respondeu à altura no momento chamado - é capaz de produzir bons resultados.
Se me permitem, sugiro até que seja encampado pelo Festival Internacional de Teatro e passe a fazer parte de sua programação oficial. Afinal, é dali que serão selecionados os grupos de Rio Preto e região, e não podemos deixar bons frutos apodrecerem no pé.
Quanto à premiação, essa sempre será questionada. É difícil. Um ou outro certamente ficará insatisfeito. Divergências existem. A comissão selecionadora cumpriu seu papel. Colocou na ponta do lápis prós e contras dentro de um contexto e a partir daí fez suas escolhas.
Dizer que "ZZZ..." não merece representar Rio Preto no Festival só porque faz um trabalho de inclusão social por meio do teatro é descabido. Onde está o desmerecimento dessa arte? O que prefere: espetáculo de inclusão social ou caça-níquel?
O resultado se desenhou ao longo do Aldeia FIT. Surpresas ficaram talvez no que diz respeito a melhores atores e atrizes. Para outros, seria decepção. Mas a verdade é que no caso de Melhor Direção Infantil e Adulto foram revelados novos talentos. Evandro Rigonatti e Teka Mastrocolla, respectivamente, entram para esse rol e fica o recado: os bambambãs precisam repensar seu trabalho.
* É jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduanda em Comunicação Jornalística
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:02:56 AM
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Sexta-feira, Junho 25
Premiação do Aldeia
Há pouco, foi a premiação do Aldeia FIT. Já estão definidos os três espetáculos que representarão Rio Preto e região no Festival Internacional de Teatro (FIT), que acontece de 15 a 25 de julho.
O melhor espetáculo infantil selecionado é o "ZZZ...", do Grupo Sensorial, da Associação Renascer, formado por crianças e adolescentes especiais.
Na categoria adulto, o melhor espetáculo é o "Margem de erro", do Galpão 6, de Catanduva. Ele estará representando a região no FIT.
O trabalho "O Amor que ousa dizer o seu nome", da Cia. Palhaços Noturnos, ficou em terceiro lugar. Representará Rio Preto no Festival.
Amanhã (quero dizer, mais tarde), faço um balanço final com toda a premiação. A seguir, coloco as quatro últimas críticas dos espetáculos apresentados durante o Aldeia.
F - I - M
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
A Cia. Teatral Há Vagas para Moças voltou ao palco do Aldeia FIT, na noite de quarta-feira, com a comédia "Se eu fosse Deus...". Havia apresentado no dia anterior o infantil "Pequeno Príncipe". São dois espetáculos bastante distintos, mas que escancaram a vontade do jovem elenco de fazer de teatro e viver de arte.
Num palco limpo, totalmente preto, o jogo de luzes e o talento dos três atores da companhia são os elementos utilizados em cena. Eles representam um único personagem, que questiona, brinca, grita, irrita-se, ri e faz com que o espetáculo tenha momentos divertidos. Mas não se pode dizer que encontrou sua verdadeira linha.
"Se eu fosse Deus..." começa com os atores em meio ao público. Agem como se estivessem num estágio de sonambulismo, mas dão muito mais a sensação de que estão bêbados. Talvez, embriagados de sono?
Interrompem tudo. Dizem à platéia que não se apresentarão por desentendimento com a organização. Tudo não passa de uma brincadeira que procura dar o tom do espetáculo, que segue por 40 minutos entre altos e baixos.
No roteiro, escrito pelo próprio Daniel Neves que também dirige o espetáculo, acaba por se sobressair a veia humorística. Quando a peça segue por esse caminho, ganha o espetáculo, ganha o público.
"Se eu fosse Deus...", que encerra a mostra competitiva do Aldeia FIT, procura ser ousado num único momento. Mas acaba caindo no batidão de o elenco virar de costas, abaixar as calças e mostrar a bunda para a platéia. Em cada um dos atores, uma letra: F - I - M.
Sem limites
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
O espetáculo "ZZZ...", do Grupo Sensorial, encerrou na manhã de quarta-feira a programação infantil do Aldeia FIT. A companhia, formada por portadores de deficiências física e mental da Associação Renascer, surpreendeu positivamente o público ao levar para o palco da Universidade Livre das Artes uma superprodução.
"ZZZ..." é um espetáculo com características de um desenho animado. Na verdade, é um teatro animado, cheio de efeitos especiais. Em cena, 14 crianças e adolescentes contam a criação do mundo num realismo fantástico.
Palco giratório, teatro aéreo, com criança voando em cabos de aço, um vulcão em atividade em pleno palco, manipulação de bonecos são alguns dos ingredientes de "ZZZ...". Os atores assumem o papel dos quatro elementos da natureza - água, terra, fogo e ar - e fazem do homem o grande vilão.
Uma voz mecânica narra a história, que alerta: "O homem não é o centro do universo". A peça procura passar uma mensagem de harmonia, que cativou a garotada presente. Segundo o roteiro, escrito especialmente para esse espetáculo por Márcio Araújo em parceria com o diretor Evandro Rigonatti, o homem vive um sonho falso e, quando acordar, verá que foi um pesadelo.
O resultado da montagem é a demonstração efetiva da superação. O espetáculo, por ser encenado somente por deficientes, exigiu da direção um trabalho conjunto com fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, entre outros profissionais especializados. A partir desse espetáculo, ratifica-se a vocação das artes cênicas de ser um eficaz instrumento de inclusão social.
Crítica à superficialidade
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
O espetáculo "A vaca metafísica", da Tokaia Cia. Teatral, despertou a curiosidade do público do Aldeia FIT, que compareceu na noite de terça-feira ao teatro da Universidade Livre das Artes, e gerou expectativa. A peça faz uma crítica à superficialidade das relações da classe média baixa e a seus valores decadentes, por meio do humor.
O espetáculo é baseado no texto de Marcílio Moraes, de 1974, e apresenta um humor quase negro. É estruturado na linguagem característica de uma classe social, em que os lugares comuns são usados com freqüência.
As repetições também são comuns e propositais. A história é contada duas vezes de uma forma feliz (só que um pouco mais arrastada na segunda vez), o que torna o texto engraçado. "A vaca metafísica" pode ser classificada como uma tragicomédia.
Na peça, fica explícita uma preocupação das personagens com a moral, com a integridade, os bons costumes, de tal forma que se transforma em fanatismo, perdendo-se o sentido da vida. Esse vazio é refletido nos diálogos repetitivos e na mecanicidade dos gestos. E a vaca, mantida fechada em um dos cômodos da casa, representa justamente essa falta de sentido. Querem algo mais absurdo que criar uma vaca em casa?
Em cena, são apenas quatro atores. O principal destaque é Mao Minillo que, há muito tempo fora do palco, não perdeu o jeito. Interpretou Clotilde, com muito talento. Diria até que segurou o espetáculo.
Pela reação do público, "A vaca metafísica" agradou. É o penúltimo espetáculo apresentado no Aldeia FIT, que concorre a uma vaga no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, que acontece no próximo mês. Traz um cenário bem feito. É cuidadoso com o figurino, mas enfrenta fortes concorrentes.
Por onde anda a magia?
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Mais uma fábula infantil foi levada ao palco do Aldeia FIT, na manhã da última terça-feira, na Universidade Livre das Artes. O espetáculo "Pequeno Príncipe", da Cia. Há Vagas Para Moças, deixou a desejar ao tentar transpor para o palco a magia do livro, escrito pelo autor, jornalista e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, no qual se baseia.
A obra foi escrita em 1943, um ano antes da morte do autor. É a mais conhecida de Saint-Exupéry. Por fora parece ser um simples livro para crianças. Mas "O Pequeno Príncipe" é também dirigido a adultos.
Na verdade, é um livro profundo, escrito de forma enigmática e metafórica. É poético e filosófico. Desde o seu lançamento, o fascínio que tem sobre o público mantém-se intacto. A obra revela-se um hino ao amor e à amizade, que mistura de maneira encantadora a magia e a psicologia humana.
Todos esses elementos acabam por dificultar o desejo da direção e do grupo de levar para a platéia a poesia contida no livro. É compreensível - como já disse aqui - falar, escrever, encenar aquilo que é de domínio público, porque torna o desafio ainda maior. O imaginário coletivo é uma grande barreira a se transpor.
Um exemplo simples do que digo é a própria doçura da flor, personagem de destaque da obra, que se perdeu nessa montagem. O grande problema recai nas mãos do diretor Riccardo Mattioli, que terá de encontrar uma forma de imprimir no espetáculo o mesmo encantamento do livro.
No mais, a peça revela plasticidade. É cuidadosa, com figurinos e cenário. Aliás, ponto para o ator Daniel Neves - interpreta o aviador -, que desenha e confecciona todo o figurino do espetáculo, reforçando as características de cada um dos personagens.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 1:58:35 AM
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Quarta-feira, Junho 23
Blog do Markun
Passeando pela web para ler sobre Leonel Brizola, falecido ontem, deparei-me com o blog do jornalista
Paulo Markun, apresentador do Roda Vida, na TV Cultura. Adorei. Tem a mesma linhal - se é que se pode dizer assim - que o meu. Ele começou praticamente na mesma época em que eu comecei. A seguir, publico uma das notas que ele fez. Chamou-me a atenção.
terça-feira, 6 de abril de 2004
RUY MESQUITA E VLADO HERZOG
O jornalista Ruy Mesquita, diretor do Grupo Estado, foi o centro do Roda Viva de ontem. Entrevista importante, histórica, marcante. Pela sinceridade do entrevistado, pelo tema, pelo momento, 40 anos depois do golpe de 1964.
No começo do programa, pedi licença ao entrevistado e aos entrevistadores para agradecer publicamente ao dr. Ruy Mesquita, que me contratou para o Jornal da Tarde, no início de maio de 1976. Eu estava há sete meses desempregado e Diléa Frate, minha mulher na época, também estava sem trabalho. Nossa filha, Ana, tinha pouco mais de um ano. Foi um período amargo, em que sobrevivemos graças à solidariedade de gente como Pedro Paulo Poppovic, que me entregou a tradução de um dicionário de psicologia, do jornalista Dirceu Maciel Coutinho, que contratou-me para um free lancer e da ajuda da família.
Nosso "crime" era o de termos sido presos pelo Doi-Codi, junto com uma centena de outros brasileiros, acusados de pertencerem ao Partido Comunista. O que não disse no Roda Viva é que fui preso numa sexta-feira, 17 de outubro de 1975 e na segunda, dia 20, a direção da TV Cultura me demitiu sumariamente. Bem, pelo menos é isso que está registrado na minha carteira de trabalho, embora eu saiba que a demissão aconteceu na verdade, após a morte do meu chefe na época, o jornalista Vladimir Herzog, morto no dia 25 de outubro, também no Doi-Codi. Com a Diléa foi pior: ela recebeu os pertences dela num saco plástico, na portaria da empresa telefônica, a Telesp, onde editava a revista interna.
Procurei o dr. Ruy Mesquita depois de conversar com quatro jornalistas renomados, três deles chefiando na época redações importantes. Todos me recomendaram sair do país, ir para o exílio, porque ninguém daria emprego a um subversivo como eu. Argumentei que não tinha para onde ir, muito menos com uma criança de um ano, mas era o que deveria fazer, explicaram eles.
Contei essa história ao diretor do Jornal da Tarde na época e disse que os Mesquita não costumavam discriminar ninguém por sua ideologia. Fui contratado. Ontem, agradeci o gesto. Brasileiro costuma falar mal em público e agradecer entre quatro paredes e não quis repetir o engano. Terminei o Roda Viva com um travo amargo na boca. Lembrei do meu amigo Vlado Herzog, que perdeu muito mais do que o emprego, naqueles tempos complicados. Por isso, reproduzo aqui o depoimento que dei para a Fundação Perseu Abramo, nos 25 anos da morte de Herzog. Essa história não coloca medalha no peito de ninguém. Não ilumina coisa alguma. Mas também não deve ser esquecida, nem posta de lado. Nos 40 anos do golpe, vale relembrá-la uma vez mais:
Vinte e cinco anos depois, o que é preciso saber sobre Vladimir Herzog? Que ele morreu no dia 25 de outubro de 1975, durante uma sessão de tortura, na rua Tomás Carvalhal, 1030, no bairro do Paraíso, em São Paulo, num prédio utilizado pelo Destacamento de Operações Internas - Comando Operacional de Informações do II Exército?
Que os militares divulgaram fotos mostrando seu corpo em um uniforme verde, numa sala com um colchão e pedaços de anotações espalhados sobre os tacos do piso, em torno de uma cadeira de plástico? Que a cabeça pendia para o lado e as pernas se abriam para os dois lados, única e improvável maneira de alguém se enforcar com o cinto do uniforme na grade baixa colocada diante dos tijolos de vidro que garantia luz para a sala?
O que é preciso saber sobre Vladimir Herzog? Que o Inquérito Policial Militar foi manipulado do começo ao fim para concluir que a versão oficial, de que ele cometera suicídio, estava certa?
O que é preciso saber sobre Vladimir Herzog? Que no dia 25 de outubro de 1978, o juiz Márcio José de Morais, da 7a Vara de Justiça Federal responsabilizou a União pela sua morte e pelas torturas que sofreu?
Ainda é preciso dizer que a morte de Vlado, noticiada pelos jornais já livres da censura foi a primeira a chocar a classe média, que cinco mil pessoas foram a catedral da Sé para um ato ecumênico que se tornou o primeiro grande protesto contra a tortura em muitos anos?
Será necessário recordar o assassinato do operário Manoel Fiel Filho, igualmente travestido em suicídio, três meses mais tarde e que resultou na demissão do general Ednardo D¿Avilla Mello, comandante do 2o Exército? Talvez fosse possível recordar ainda os que divulgaram essa versão na tribuna da Assembléia Legislativa e em colunas de jornais, mas, sinceramente, não sei do que isso adiantaria.
A política nunca foi o território de Vlado, que preferia teatro, cinema, ópera. Estudante de filosofia, foi contratado como repórter do jornal O Estado de S. Paulo por Perseu Abramo, onde em pouco tempo ficou amigo de Décio de Almeida Prado, Sábato Magaldi, Delmiro Gonçalves. Fez parte da equipe que cobriu a inauguração de Brasília, acompanhou a visita de Sartre e apaixonou-se pelo cinema.
Depois do golpe de 64, já casado com Clarice, foi trabalhar na BBC de Londres. Em julho de 1968, ela e os dois filhos, Ivo e André, voltaram para o Brasil. Vlado ficou, para fazer um curso de produção de TV e em dezembro, durante uma viagem a Itália, leu a notícia sobre o AI-5, mas resolveu voltar. O emprego garantido na TV Cultura, não se concretizou - ele fora denunciado como comunista - e durante um ano, produziu comerciais numa agência de propaganda, até ser contratado pela revista Visão.
Vinte e cinco anos depois de sua morte, todas essas considerações importam menos que as lembranças ainda vivas do amigo cáustico, gozador e perfeccionista, com quem partilhei sonhos, decepções e fantasias.
Nos aproximamos quando o substituí no jornal Opinião, durante uma viagem dele e da mulher, Clarice, para os Estados Unidos. Na volta, aceitei seu convite para ser o chefe de reportagem da TV Cultura. Assumimos no dia três de setembro de 1975. Não houve tempo nem de arrumar as gavetas: no dia seguinte, uma nota na coluna do jornalista Cláudio Marques denunciava que os comunistas estavam transformando a Cultura num instrumento de propaganda.
O pretexto era uma reportagem produzida pela BBC de Londres sobre o líder vietcongue Ho Chi Min e exibida no telejornal do meio dia, cujo conteúdo não havíamos examinado. Editada por um jornalista da velha equipe, a matéria não incomodaria ninguém no Brasil de hoje, mas naquela época, cheirava a provocação.
De todo modo, a partir daquele momento, passamos a viver no olho do furacão. A prisão de meus companheiros de militância no Partido Comunista Brasileiro, então ilegal, só piorou as coisas. No dia 17 de outubro de 1975, uma sexta-feira, Vlado ia se encontrar com o chefe do escritório do Serviço Nacional de Informações em São Paulo. Incapaz de uma jogada maquiavélica, inimigo do dogmatismo e da burrice, ele achava que o mundo devia ter alguma lógica e pretendia explicar, olho no olho, que os discursos de Wadih Helou e José Maria Marin, repercutindo notinhas publicadas na imprensa, sobre o controle comunista da TV Cultura, não tinham qualquer sentido.
Jamais soube o resultado do encontro: saí mais cedo naquela tarde e na mesma noite, fui preso e torturado para confessar que era membro do Partido Comunista. Oito dias depois, ainda no DOI-CODI, ao lado de outros jornalistas presos, me fizeram acionar uma máquina de dar choques, enquanto um torturador segurava a ponta dos fios para provar que aquele engenhoca não mataria ninguém. Disseram ainda que o Partidão era a favor da luta armada e tinha como dirigentes ultra-secretos figuras importantes, como um bispo ou um governador. Vlado, garantiam, era um agente da KGB.
Bom roteiro para um filme de ficção, como os que Vlado sempre quis fazer e que talvez fizesse, se não o tivessem em nota de rodapé da história e mártir a contragosto. Na contracapa do livro que coordenei quinze anos atrás tentei resumir o caso em oito linhas - ainda cheio de certezas e de esperanças. Repito aqui o que escrevi, mas confesso que não sei se é tudo tão simples assim:
A morte de Vladimir Herzog mudou o Brasil. Provocou a primeira reação popular contra a tortura, as prisões arbitrárias, o desrespeito aos direitos humanos. A morte de Vlado abortou um golpe dentro do golpe, estancou uma operação em marcha - teria sido um mero "acidente de trabalho"? E não é exagero dizer que ali, naquele prédio escuro do DOI-CODi, no confronto entre um homem encapuzado e seus algozes, começou a grande transformação que fez o Brasil voltar ao caminho da democracia.
Comentário
EMOCIONANTE REVISITAR ESTES MOMENTOS QUE VIVENCIAMOS E NAQUELE MOMENTO NÃO AVALIAVAMOS O QUE ERA, MAIS EMOCIONANTE POR FAZERMOS ISTO PELA MÃO LINDA. OBRIGADO.
Edmilson Melo
24-06-2004 12:12:03
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 7:59:29 PM
Comentários:
Crítica
Esses dias andei na correria com o Aldeia FIT. Nem pude atualizar o blog por falta de tempo. Peço desculpas. Hoje, obriguei-me a colocar ao menos as críticas que já fiz e foram publicadas no DHoje. O Aldeia está chegando ao fim. Creio que já estão definidos os vencedores que garantirão uma vaga no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto. Por tudo que vi, já tenho meu palpite. Mais tarde revelo para vocês. Agora, seguem os textos. Fico devendo comentários sobre a acareação entre o empresário Luiz Neves e o engenheiro Manoel Cheidd, na comissão que investiga supostas irregularidades no Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae), na tarde de segunda-feira, na Câmara Municipal.
Tão diferentes e tão iguais
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
A segunda-feira pareceu-me meio repetitiva no Aldeia FIT. Primeiro, foi frustrante. Depois, sem criatividade. A Cia. Fábrica dos Sonhos esteve no palco por duas vezes. Pela manhã, levou à garotada "Cinderela - Um sonho de cristal". À noite, encenou "Memórias de um sargento de milícias".
Poderia fazer como venho fazendo até aqui: uma crítica para cada espetáculo. Mas fica difícil a partir do momento que o próprio grupo não conseguiu desvincular um do outro. Criou uma fórmula-padrão de fazer teatro e só troca o nome da peça.
É isso mesmo e é aí a que entra a minha frustração. Quem assistiu aos dois espetáculos teve a nítida impressão de que se estava vendo a mesma peça, com uma ou outra mudança. Mas no geral... Eram o mesmo cenário, a mesma solução cênica, os mesmos atores em cena, o mesmo tipo de brincadeira, enfim, os mesmos estereótipos.
O pior é que foi utilizada basicamente a mesma linguagem para públicos tão distintos. Para não dizer que não havia diferença alguma entre os dois espetáculos, no da noite mais um ator entra em cena, Riccardo Mattioli.
Tanto "Cinderela - Um sonho de cristal" quanto "Memórias de um sargento de milícias" adotaram o sistema de radionovela para narrar a história. Em um canto do palco, é montada uma mesa de som e luz, controlados pelos próprios atores.
Ainda no palco dos dois espetáculos, também há a presença de araras, onde várias peças do figurino e adereços estão penduradas. Há ali perucas, vestidos, camisas, chapéus, óculos e sapatos para que os atores possam compor seus personagens, alguns transformados ali mesmo em cena. Até o relógio das 12 badaladas de Cinderela é o mesmo utilizado em "Memórias...".
Público-ator
"Cinderela..." tem a vantagem de envolver mais o espectador. Busca a interação. Coloca crianças da platéia para participar do elenco, mas ainda assim é distante do público infantil. Há inúmeras piadas que só um adulto entende.
Na verdade, o espetáculo vive momentos de espetáculo infantil. Está muito mais voltado a agradar pais que filhos, o que acaba por provocar uma queda de ritmo da peça e, por conseqüência, a dispersão da garotada.
A montagem não foge da história original. Ela simplesmente é recontada com a introdução de elementos contemporâneos, como músicas e brincadeiras. Mas o desfecho é o mesmo. Cinderela fica com o príncipe e, certamente, se houvesse a continuidade do espetáculo, viveriam felizes para sempre.
Ritmo alucinante
Em "Memórias...", os atores também buscam dar um ar informal. Começam o espetáculo se aquecendo, mas desenvolvem a trama na mesma estrutura literária da obra original, do escritor Manuel Antônio de Almeida.
A ação do romance "Memórias..." se passa nas ruas e casebres do Rio de Janeiro do tempo de dom João VI, com seus tipos pitorescos - as comadres, os soldados, as mulatas. A linguagem utilizada pelo autor é marcada pelo tom coloquial, próxima da fala do povo, e o que poderia parecer um ponto positivo acaba tomando outro rumo. O espetáculo ganha um ritmo meio alucinado e até a velocidade da fala dos atores é acelerada, dificultando a compreensão.
A vantagem é que "Memórias..." tem bons atores em cena. Eu nunca havia visto, por exemplo, Mattiolli no palco. Vejo sempre na direção, fazendo luz. Foi uma grata surpresa.
Ainda assim acredito que é preciso repensar os dois espetáculos. A fórmula não é tão boa quanto supõe o diretor Rony Guilherme. Se estivesse mais presente, acompanhasse o grupo em suas apresentações, talvez já tivesse identificado as falhas e corrigido.
O caipira em cena
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
O Grupo Teatral Malandrinhos Cênicos levou para o palco da Universidade Livre das Artes um pedaço importante do Brasil. Com o espetáculo "Lugar onde o peixe pára", que foi encenado na noite de domingo do Aldeia FIT, resgatou os valores culturais do interior paulista, o folclore, as crenças e os mitos populares.
A maneira de falar dos caipiras também foi levada à cena. Mas ainda de forma muito caricata, assim como os trejeitos de determinados personagens. Estavam bem acentuados, sem a necessidade de exagero. O sotaque carregado, aliado à falta de um trabalho de voz, dificultou o entendimento de algumas falas.
Figurino e cenário se destacaram. Bem caracterizados, com soluções inteligentes, deram o tom de simplicidade do caipira. Aliás, o texto que é do Grupo Andaime, formado por alunos da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), tem justamente essa preocupação de resgatar e registrar os valores do caipira.
Essa intenção de valorizar a cultura local é reforçada no próprio nome do espetáculo, que leva o nome da cidade, onde fica a sede do grupo. Piracicaba em tupi-guarani quer dizer lugar onde o peixe pára. Para o povo, lugar ideal para se viver.
Cada espectador presente ao Aldeia certamente se identificou com algo do espetáculo, como as brincadeiras infantis, as crendices, canções ou expressões populares. Trouxe ao palco inclusive um ator, Renato, de 21 anos, tocando viola ao vivo, durante quase toda a apresentação.
Mas certamente a característica mais se sobressaiu foi a união de arte e educação. O grupo, dirigido por Marlene Neres, é formado por estudantes de uma escola pública de Fernandópolis.
Além do palco
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
O grupo Galpão 6, de Catanduva, voltou a se apresentar na Universidade Livre das Artes, na noite de sábado, na programação do Aldeia FIT. Dessa vez, não mais com crianças e adolescentes, mas sim com um elenco acima dos 60. Em cena, o espetáculo "Mamãe Coragem".
São dois homens e 13 mulheres no palco. A peça, com texto de Cíntia Alves, é baseada no depoimento dos próprios atores e traz elementos bíblicos. É a influência da autora, já que foi postulante a noviça.
O espetáculo resgata a trajetória de vida de qualquer mãe brasileira. A história se divide em capítulos, como na Bíblia. Eles são demarcados por meio de uma projeção de um letreiro ao fundo do palco.
A história se constrói a partir do Gênesis, com o nascimento dos filhos dessas mães. Passa pelo Êxodo, que é a insatisfação com a própria situação, e finaliza com o Deuteronômio, que mostra a dura face da lei do machismo.
É uma peça plasticamente bonita, enxuta (25 minutos de duração), com poucos elementos em cena. Jogos de luzes e som realçam o resultado. Mas não pode ser avaliada simplesmente como um espetáculo teatral, como não o foi pela comissão selecionadora.
Deve ser encarado como um trabalho que reflete a coragem - como sugere o título -, o esforço dessas mães divertidas, espirituosas, que depois de uma vida inteira dedicada aos filhos, família, etecetera e tal, encontram agora um tempinho para si. E descobrem o prazer de estar em cena.
Dessa forma, cativaram o público, que buscou na memória alguém querido, com a mesma energia e vontade de viver. O espetáculo merece estar no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, que acontece agora em julho. Se não o for como vencedor do Aldeia FIT, que o seja como convidado.
Metáfora da vida real
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Até o momento, três espetáculos da categoria adulto impressionaram positivamente. Não diria que estão redondinhos, mas têm alto potencial. O terceiro dessa lista foi apresentado na noite de sexta-feira, dentro do Aldeia FIT. É a montagem "Margem de erro", do grupo Galpão 6, de Catanduva.
"Margem de erro", com direção de Teka Mastrocola, une-se a "O amor que ousa dizer seu nome", de Riccardo Mattioli, e "Édipo Rei", de Rildo Goulart. Os três fogem do usual. Buscam novas linguagens, novos caminhos. Desenvolvem um trabalho de investigação e é isso que dá sangue novo ao teatro.
Na noite de sexta-feira, o público saiu extasiado do espetáculo. Num primeiro momento, pela plasticidade. Num segundo momento, pela simplicidade de algo que parecia tão complexo, uma mensagem tão clara a que nos negamos ver e reagir cotidianamente.
Visualmente, "Margem de erro" é irretocável. Som e luz, sob o comando de Augusto Cetrone, também são um show à parte. O espetáculo está muito bem produzido. Encanta os olhos e põe à prova a capacidade de compreensão da platéia.
Cenas recortadas e repetidas, repletas de metáforas, num texto de Cíntia Alves, fazem uma crítica à rotina, à mesmice do dia-a-dia, aos programas de TV, à vida regrada e aprisionada que cada um leva. Tudo isso só ganha sentido quando, no debate que ocorre entre o grupo, a platéia e a comissão selecionadora, uma das atrizes - Gabriele, de 13 anos - "traduz" o espetáculo.
Como num quebra-cabeças, as peças se encaixam perfeitamente. Estavam todas ali. É então que "Margem de erro" se torna mais admirável, ainda mais quando se vê em cena o resultado de um trabalho social.
Vertente moral no mundo da fantasia
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Montar um clássico infantil é sempre um grande desafio. No caso de "Pinóquio", encenado na manhã de sexta-feira no Aldeia FIT, não é diferente. O trabalho de adaptação da obra-prima de Carlo Lorenzini Collodi acaba por esbarrar no imaginário coletivo, já que a fábula marcou e ainda marcará inúmeras gerações.
É inevitável fazermos comparações e, felizmente, o saldo é positivo. O diretor Jorge Vermelho buscou e encontrou soluções inteligentes. "Pinóquio" revela um mundo de cor e alegria, com um cenário muito "clean" e funcional. Apenas um grande painel, estilizando um grande livro aberto, num convite a um a viagem ao mundo da fantasia.
Também adotou estratégias para manter a platéia infantil ligada. O narrador é uma figura presente no espetáculo e se transmuta em outros três personagens. Assume inicialmente o papel do velho Gepeto. Depois, transforma-se na consciência do boneco Pinóquio, como o Grilo Falante, e, por último, faz o dono do circo.
Sobre a história, já quase tudo foi dito. Ainda assim, "Pinóquio" continua a cativar-nos pela ingenuidade, aliada à eterna capacidade que por vezes temos - especialmente quando crianças - de escolher sempre o caminho errado, sem nos darmos conta. Simplesmente, percorremos o caminho que nos pareceu mais interessante.
Exatamente nesse ponto que o espetáculo excede, a vertente moral. Numa das frases da fada - que poderia ser mais "fashion" -, fica muito patente: "Pinóquio ainda terá de aprender algumas lições antes de se tornar um menino de verdade". Mas nada que comprometa, porque está embrenhada na fantasia. Além do mais, a solução é simples. Basta suavizar frases mais carregadas, assim como se fez com outros elementos do espetáculo. O resultado será ainda melhor.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:03:33 PM
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Sábado, Junho 19
Direto de Londres
Recebi hoje uma mensagem do Laraia (Alexandre Gama, repórter do
Diário). Ele está em Londres, estagiando (resultado de um prêmio que recebeu). Antes dele, o Roger (Rogério Castro) também havia enviado mensagem de Londres - quando morava lá - para o blog. Ele me manda os parabéns pelo meu aniversário e eu o devolvo. Afinal, não é todo dia que se ganha como prêmio um estágio na BBC. Leiam a seguir:
AE Mirna,
parabéns, hein!
Acessei seu site aqui de Londres para ficar registrado, eheheheheh. Hoje é meu último dia de estágio na BBC. Aqui é do caralho... Beijo
Laraia
Alexandre Gama (repórter de política do
Diário da Região)
91-06-2004 11:05:57
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 6:55:18 PM
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Crítica
Mais críticas foram publicadas no DHoje. Uma é sobre o espetáculo infantil "Nina e Carambola". A outra é "Édipo Rei", de Rildo Goulart. A terceira é "Tribobó City" e, por último, "Vem buscar-me que ainda sou teu". No momento, só tenho três delas aqui na minha máquina para publicar. Coloco a outra depois.
Cenário é o diferencial
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Se é fato que a primeira impressão é a que fica, o espetáculo "Édipo Rei", encenado na noite de quarta-feira, no Aldeia FIT, está no páreo por uma das vagas para o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, que acontece no próximo mês. Mas sejamos cautelosos. Ainda temos mais seis dias de mostra pela frente e as falhas não são poucas. Teriam de correr contra o tempo, caso isso realmente se concretize.
A entrada para o espetáculo impressiona. Com uma estética diferenciada e ocupando vários espaços da Swift, convida o público para conferir a peça e traz bem o espírito do Festival Internacional, que é norteado pela investigação teatral. Aliás, a cada noite, o Aldeia FIT trouxe uma linguagem diferente para o palco da Universidade Livre das Artes.
A tragédia grega "Édipo Rei", adaptada e dirigida por Rildo Goulart, não foge do que já é conhecido pelo público. Com um texto denso, o diferencial está mesmo no cenário, maquiagem e figurino, que se destacam.
A atuação dos 13 atores em cena se revela o maior problema do espetáculo. Formado por um elenco extremamente heterogêneo e a maioria sem experiência, falhas ficam evidentes no decorrer da peça. Os atores se chocam em cena e deixam transparecer que não obedecem marcações estabelecidas.
Outro problema é com o tom de voz dos atores, que na maioria das vezes é linear, o que acaba por cansar o espectador em determinados momentos. Também há um descuido com acessórios utilizados em cena. Durante quase todo o espetáculo, os atores utilizam lanternas, que quase nunca funcionavam. Feito os ajustes, o grupo bonificiano tem tudo para seguir no caminho certo.
Situações divertidas em "Tribobó"
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Um dos maiores clássicos da dramaturgia infantil brasileira foi colocado em cena na manhã de quinta-feira pelo Grupo Girassol, de Santa Fé do Sul, na programação do Aldeia FIT. O espetáculo "Tribobó City", que faz uma crítica à sociedade brasileira, se revela amador, porém, com boas situações e personagens cômicos.
Formado por uma garotada jovem (o menor tem 10 anos) de Santa Fé, o elenco - embora ainda imaturo - demonstra em cena uma paixão por aquilo que faz. São membros da escola municipal de teatro daquela cidade e sofrem com a falta de estrutura, o que denota uma certa rusticidade. Problemas de som, luz e direção também afetam o espetáculo.
Mas ainda assim "Tribobó City", baseado no livro "A Menina e o Vento - Tribobó City", de Maria Clara Machado, segura a onda com destaques no elenco. Lairton Conrado Jr, por exemplo, vive um mexicano que na verdade é um cearense. Ele entra muito bem em cena. A composição de seu personagem, com caras e bocas, está impecável.
Há também, durante o espetáculo, uma "pancadaria" divertidíssima que leva a garotada ao delírio. Ela soa bem natural, ao ritmo de molecagem. Mas há uma segunda cena de "pancadaria" que já não tem o mesmo sabor para a platéia.
Cenário e figurinos são todos confeccionados pelos próprios atores. O resultado desse envolvimento é que mocinhos e bandidos se enfrentam num quase bangue-bangue leve, alegre e até gracioso. Nem mesmo o revólver, muito comum nos faroestes, aparece em cena.
Tiveram o cuidado de ao fazer um espetáculo dirigido para crianças apenas sugerir por meio de gestual e pelos estampidos dos disparos. O caminho, já sabem qual é. Resta aprimorar e seguir em frente.
Interminável melodrama circense
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
O grupo Vírus da Arte subiu ao palco do teatro da Universidade Livre das Artes na noite de quinta-feira, com "Vem buscar-me que ainda sou teu". Trouxe para o público do Aldeia FIT um musical que fala do teatro e seus artistas e das dificuldades que encontram os que abraçam esse caminho não por profissão, mas por paixão e vocação.
"Vem buscar-me..." sofre do mesmo mal que "O Parturião". É mais um daqueles espetáculos que começam e parecem não ter mais fim. Apesar de cenário e figurino bem resolvidos e uma direção de arte cuidadosa, há quedas bruscas de ritmo durante a apresentação.
A peça contrasta bem a ilusão das luzes, dos figurinos, cenários e personagens com a dura realidade vivida nos bastidores. Assim, palco e bastidor se revezam em cena, mostrando os dois lados da moeda para o espectador. Claro que com um pouco mais de glamour.
O texto, de Carlos Alberto Suffredini, é resultado de uma longa pesquisa que realizou no circo-teatro (nos anos 70) que na época percorria a periferia da cidade de São Paulo. Em Rio Preto, assumiu perfeitamente suas características de melodrama circense.
Essa montagem tem dois grandes momentos. Um é a cena em que cada personagem é um tempero, e cravo e pimenta se desentendem, julgando-se mais importante para dar sabor à comida. O outro fica por conta do bate-papo inicial entre Aleluia, responsável pela companhia, e uma visita surpresa que recebe. São quatro personagens que se destacam em cena.
No mais, o espetáculo chega a ser cansativo. Também não é novidade para o rio-pretense. É um dos vencedores do Prêmio Estímulo "Nelson Seixas" 2003 e já esteve inclusive participando do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto do ano passado. Busca agora participar como selecionado. O desejo é legítimo, mas o espetáculo poderia ser mais conciso e forte. Aliás, já teve tempo suficiente para fazer as mudanças necessárias.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 6:49:17 PM
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Quinta-feira, Junho 17
Crítica
Hoje, publico a crítica sobre o espetáculo "O Parturião", dirigido por Manoel Neves Filho, do GTR. Ela também pode ser conferida no DHoje.
"Dio mio, ma que longa"
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
A comédia "O Parturião", encenada na noite de terça-feira do Aldeia FIT, no teatro da Universidade Livre das Artes, levou ao público uma trama cheia de trapaças e amores proibidos em que vários sotaques se misturam. Mas o pecado maior foi a duração da peça. Foram exatos 100 minutos.
Não haveria problema algum se a montagem do Grupo Teatral Riopretense (GTR), a partir do texto de Luís Alberto de Abreu que pesquisa o teatro popular brasileiro, mantivesse o ritmo. O diretor Manoel Neves Filho tem plena consciência disso. Em recente conversa, havia contado que o espetáculo chegou a ter duas horas e meia de duração. Foram feitos cortes e ainda assim permanece longo.
A montagem tem altos e baixos. Diria até muito mais baixos que altos, provocados especialmente pela irregularidade do elenco. Vemos principiantes em meio a atores que se destacam.
É o caso de João Teité, vivido por Kiko Andrade. Ele tem voz, dicção e físico que ajudam na composição de seu personagem. É um dos empregados de duas famílias rivais. O outro é Matias Cão, interpretado por Danilo Melo. Os dois se unem para enganar os respectivos patrões.
As entradas em cena de Robertino da Silva, como o major Aristóbulo, também cumprem seu papel. O ator, em noite de estréia, levava a platéia aos risos só por sua feição e gestuais.
Mas nada disso conseguiu impedir que o público tivesse a sensação de que a peça se arrastava, especialmente, passada uma hora de espetáculo. A platéia começa a ficar impaciente. Nesse caso, convenhamos, para a sobrevivência do espetáculo, o corte é inevitável.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 8:57:33 AM
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Quarta-feira, Junho 16
Aniversário
Recebi algumas mensagens pela passagem de meu aniversário que deixarei registradas aqui. Agradeço também pelos telefonemas recebidos de Soninha, Ligia, Miltinho (de novo), Inocente, tia Santa, Vaelson, tia Darci, Carol, Cleide, Raul, mamãe, papai, Douglas, Roberta, Cris, Bil, prefeito Edinho Araújo, Fernandinho, Rosa, Miriam, Verô, Zé Antônio, Perla, Lucinha. E também a quem esteve ao meu lado: Gracinha, Patricia Pimentel, Rogério, Raul, Henrique, Mel, Paulo Baraldi,... Obrigada a todos, de coração. Espero não ter esquecido ninguém.
Ô Bonitona,
em dia de festa você não escreve blog, não chama os amigos pro caviar, não aparece, nem manda recado, mas mesmo assim a gente continua te amando!!!
Um super, hiper, máxi aniversário pra você, com os desejos voltados a um novo ano mil vezes melhor que o último.
Beijão,
Alaor (Ignácio dos Santos Júnior)
A equipe do ISP manda um enorme beijo!
Jackeline Casanova (apresentadora do
Informe SP, da Rede Record)
Parabéns, Mirna
Você sabe que sou seu fã, desde quando cheguei ao jornal pela primeira vez... aliás, tem até uma foto (que gostaria de ter uma cópia). você é uma das pessoas do meio que considero muito. Tenho certeza que passamos fases na vida. Penso que se nós estamos vivendo na mesma época é para nos ajudarmos. Se precisar de mim me ligue.
beijo e seja feliz (mande um abraço para o Breno).
Rodrigo (Lima, repórter de política do
Diário da Região)
PS: Não vou ao Bacana hoje porque estou cobrindo sessão... quantas vezes você perdeu compromissos por causa disso?
Olá, Mimi
parabéns pelo seu niver. Muitas felicidades, saúde, paz e prosperidade pra você e para o seu Breno, que certamente é a pessoa mais importante da sua vida. Tudo de melhor que existe neste mundo.
Um beijo. Apareça.
Milton (Rodrigues, editor do
Diário da Região)
Oi, mi
tudo bem? Faz tempo que a gente não conversa. Estou morrendo de saudades de vcs. Espero que você tenha um feliz aniversário e que sejam maravilhosos seus 34 anos. Beijos
Jacque, Pablo, Iago e Tomás (minha irmã que mora na Argentina, meu cunhado e meus dois sobrinhos)
Oi, linda...
tudo bem? Estou na facul e não poderei ir te abraçar, mas fica aqui meu abraço. Um grande beijo e parabéns. Muito sucesso... Gosto muito de vc...
Bjão linda. Felicidades.
Thiago Ariosi (repórter da Rede Record e membro da equipe da assessoria de imprensa do Festival Internacional de Teatro)
Pô, Mirna, estou vendo bem depois de ter rolado a birita... de qualquer forma parabéns, muitas felicidades e pouco juízo... hehehehehe...
Beijão.
Carla Fco (apresentadora da TV Tem)
Cara, Mirna
Apesar do atraso, envio-lhe os meus cumprimentos e que seja feliz.
Beijos,
Cida Caran (colunista social do
Diário da Região e na TV)
Querida Amiga Mirna,
Desculpe-me por não lhe cumprimentar ontem (15-6) pela passagem de seu aniversário, mas o carinho e respeito que sinto por você não têm data marcada, creio que posso, hoje, desejar o que há de melhor para você. Que Deus, nosso Pai, continue te abençoando e que faça cada dia de sua vida ser o melhor, pois você merece.
Um grande beijo e continue sempre assim, como és.
Arlete Fofa assessora do vereador Luiz Alberto Andaló)
Mirna, infelizmente não deu para passar no Bacana ontem para te dar um abraço, peço mil desculpas e te desejo toda felicidade do mundo, muita sorte, muito trabalho, muito amor, e muita paz.
beijos
Lucinha (produtora da TV Tem)
Atrasada, mas... parabéns! Muito sucesso, você merece!
Mônica Nóbrega | 17-06-2004 03:00:33
Oi minha amiga, acho que recebi seu e-mail com atraso. Mas mesmo atrasado, parabéns por mais um ano de vida. Desejo a você toda felicidade e o que tiver de melhor nesse mundo.
Te amo muito
muitos beijos
Waldir (paginador do
Diário da Região)
Mirna
Infelizmente, não poderei ir ao seu aniversário. Sabe como é, às 22 horas
ainda estou terminando de pautar o pessoal (rss). Falando sério, muitas
felicidades para você. E boa festa!
Fabrício (Carareto, editor de Política do
Diário da Região)
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:30:59 PM
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Crítica
Como eu disse ontem, a partir de hoje, eu estaria publicando a crítica sobre os espetáculos do Aldeia FIT aqui no blog. Elas também podem ser conferidas diariamente no DHoje.
Teatro X Histeria
Mirna de Lima Soares
Especial para o DHoje
Viver o amor por si só já é algo complicado. Imaginem falar. E, quem dirá, representar. A Cia. Palhaços Noturnos, como sugere o nome da peça "O amor que ousa dizer o seu nome" - espetáculo de abertura do Aldeia FIT, ousou ao escolher o tema, mas o resultado deixa a desejar.
O tempo teatral é posto de lado. A histeria entra em cena ao discorrer sobre o fim de um relacionamento. Arquibancadas são colocadas no palco. A iniciativa em princípio sugere a aproximação entre público e atores, o que não funciona. Como o espetáculo é quase que na sua totalidade gritado, acaba por afastar e confundir a platéia, que não sabe para onde olha.
Por outro lado, a solução cênica é inteligente. Um tapete verde redondo sugere um campo de futebol, onde é disputado o jogo do amor, que não fica definido exatamente qual é. Os personagens se vestem como jogadores de futebol, de camisa, short e chuteira. Mas há momentos em que se transforma num verdadeiro ringue.
O espetáculo reúne um elenco de peso do teatro rio-pretense. Em cena, de forma inteligente o diretor Riccardo Mattioli, faz dos personagens seres assexuados em que todo mundo é todo mundo. O texto do jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, "Eu sei que vou te amar" - base da peça -, permite a disputa entre amor e sexo, que dá força aos diálogos.
Mas o ponto alto do espetáculo é a intervenção do diretor logo nos três minutos iniciais. Ele interrompe a peça porque alguém na portaria havia liberado a entrada de mais dois espectadores. Mattioli entra firme em cena e exerce com competência seu papel. Aliás, a atitude dele foi tão perfeita que deu a exata sensação de que fazia parte do espetáculo.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 9:15:36 AM
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Terça-feira, Junho 15
Comemoração
Hoje estou em festa. Além de estar aniversariando, o blog está beirando os 10 mil acessos. Estou na contagem regressiva e fico muito grata a todos vocês que têm acompanhado meus comentários on-line. A receptividade é grande. Consegui ir além do que imaginava.
O blog começou tão descompromissado e consegui fazer do "De papo com a Mirna..." um espaço aberto para a discussão sobre diversos assuntos, especialmente política. Aliás, que me desculpem os que já estão saturados. Mas posso garantir que ao menos nos próximos 11 dias o tom será mais cultural.
A novidade é que estarei com um espaço diário no DHoje sobre os espetáculos do Aldeia FIT, mostra regional de teatro, realizada pela Secretaria de Cultura de Rio Preto até o próximo dia 24, na Universidade Livre das Artes (Swift).
Portanto, quem quiser conferir um pouco do que rola no teatro regional poderá ler no caderno de cultura do DHoje. Amanhã, será publicada a primeira crítica sobre o espetáculo "O amor que ousa dizer o seu nome", da Cia. Palhaços Noturnos. Depois de publicado lá, estarei disponibilizando no blog. Prestigiem o jornal e mandem comentários. Valeu!
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 5:13:35 PM
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Domingo, Junho 13
Reta final
A oposição caminha para a conclusão de que terá de se unir se quiser jogo contra o prefeito Edinho Araújo (PPS), que briga pela reeleição. Terá de colocar seus melhores nomes em campo, e ainda assim corre o sério risco de ver a eleição definida já no primeiro turno.
Até agora, estudaram inúmeras possibilidades e não conseguiram chegar a uma chapa forte. Protelaram o máximo que puderam. Mas terão de ceder. Resta saber quem dará lugar a quem. Regina Chueire (porque o PDT deve fazer parte desse grupo; negociações vêm acontecendo) ou Manoel Antunes (PFL) encabeçará a chapa?
O PSDB sinalizou lá atrás que havia uma grande possibilidade de apoiar um nome de outro partido. Admitiu que apostou suas fichas no deputado federal Aloysio Nunes Ferreira Filho e ele declinou (ainda dá tempo de voltar atrás). Portanto, deve, como no segundo turno de 2000, hipotecar apoio a Antunes novamente.
O grupo deverá contar também com o PSB, do deputado estadual Valdomiro Lopes da Silva Júnior (ele e Antunes já vêm caminhando juntos desde o segundo turno de 2000), e o PHS, de Pedro Roberto Gomes, ex-Edinho. Outras siglas menores também devem se aliar.
Ou seja, todos os membros da comissão que investiga supostas irregularidades no Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) estarão unidos contra Edinho nas eleições. Digo todos, porque inclusive a vereadora Eni Fernandes (PT) já declarou que não subirá no palanque do prefeito, embora seu partido faça parte da Frente Progressista.
A definição deve acontecer ainda nesta semana. Na próxima, começam as convenções partidárias. É esperar para ver como se movimentarão, mas a jogada tornou-se meio óbvia. Não resta muita alternativa.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 10:26:52 AM
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Sexta-feira, Junho 11
Novo comentário
Mirna, uma pena que seus comentários inteligentes e atualizados sobre a política rio-pretense fiquem restritos ao Blog.
Ellen Lima Torres, jornalista/assessora do deputado estadual Valdomiro Lopes da Silva Júnior (PSB)
11-06-2004 08:53:48
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 7:23:13 PM
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Cinema
Ontem, eu e o Roger (o jornalista Rogério Castro) fomos ao cinema assistir ao filme "Cazuza - O Tempo Não Pára". Como não sou crítica de cinema, publico aqui uma crítica que foi publicada no site
"No Mínimo", de Ricardo Calil, enviada para mim pelo Roger.
Com a pulsação dos anos 80
11.06.2004 | Agora que tudo terminou bem é fácil falar: "Cazuza - O Tempo Não Pára", filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho que estréia nesta sexta-feira, tinha tudo para dar errado. Porque a cinebiografia de Agenor de Miranda Araújo Neto (1958-1990), o Cazuza, carrega consigo dois interesses aparentemente contraditórios: por um lado, ressaltar o caráter transgressor e hedonista do cantor; por outro, fazer uma narrativa tradicional para torná-lo palatável a um público amplo, para apresentá-lo a uma geração que em geral não compartilha dos mesmos valores.
Isso levou os cineastas a uma série de escolhas arriscadas. Primeiro, construir um painel linear e abrangente sobre a vida de Cazuza, do início da carreira até a morte, recusando recortes temáticos ou temporais específicos. Assim, assumiram o risco de desagradar os fãs ao deixar de fora episódios importantes da vida do cantor (em todas as entrevistas que dão sobre o filme, por exemplo, eles precisam explicar por que a relação com Ney Matogrosso foi deixada de lado).
Depois, investir na capacidade de Daniel Oliveira - ator até então pouco conhecido - se transformar em Cazuza. Houve grande esforço da produção para retratar as mudanças físicas que o cantor enfrentou por causa da Aids: o protagonista emagreceu 14 quilos, seguindo uma dieta rigorosa; as filmagens foram interrompidas por três semanas. Nesse caso, o risco era cair em um mimetismo vazio, uma reprodução mecânica do visual e do gestual do cantor, o que comprometeria todo o filme.
"Cazuza" conseguiu superar essas sinas de telefilme com um elemento um tanto vago e de difícil definição: energia. Pode parecer transcendental ou mesmo metafísico, mas a grande virtude do filme não é reproduzir o espírito, e sim transpirar a energia de um personagem (Cazuza), de uma época (os anos 80) e de um lugar (a zona sul carioca).
E, assim, o filme concretiza a magia do cinema: transportar o espectador, de volta ou pela primeira vez, a outro tempo e espaço. De tal forma que "Cazuza" parece menos um filme sobre a década de 80 do que um filme "da" década de 80, um "Bete Balanço" com doses de sangue, suor e lágrimas.
Como ocorria com Cazuza, o cantor, a energia de "Cazuza", o filme, parece às vezes um tanto dispersa. Existe uma atenção especial ao lado não-convencional do personagem: o confronto com a família e a indústria musical, a abertura para experiências sexuais e com drogas, a coragem para expor sua doença. Mas há pouco sobre motivações e hesitações, temores e fraquezas.
Por outro lado, muitas seqüências têm inegável força e impacto, tantos números musicais quanto cenas dramáticas. Os diretores demonstram ter aprendido a sabedoria kamikaze do cantor: ignorar as próprias contradições, seguir adiante a todo custo e atirar para todos os lados. Se eles perderam alguns tiros no trajeto, ao menos acertaram o essencial.
Cada um dos cineastas tem méritos próprios. Walter Carvalho, grande diretor de fotografia, conseguiu imprimir muito do exagero e indefinição da época na imagem de cores saturadas e na câmera inquieta. Sandra Werneck, boa diretora de atores, conseguiu interpretações niveladas por cima entre novatos - principalmente Daniel Oliveira - e veteranos - em especial, Marieta Severo (como a mãe do cantor, Lucinha Araújo), Reginaldo Faria (o pai João Araújo) e Emílio de Mello (como o produtor Zeca, inspirado em Ezequiel Neves).
Ao final, o filme consegue o duplo mérito de fazer um retrato digno de um grande ídolo e de ser um produto comercial bastante decente, que não ofende a inteligência do espectador. Os dois casos são menos comuns do que se poderia desejar no cinema brasileiro. Juntos, são raríssimos.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 7:05:18 PM
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Quinta-feira, Junho 10
Apostas
O vereador Alcides Zanirato (PMDB) apareceu recentemente na roda política como possível candidato a prefeito de Rio Preto nestas eleições. Assim como Antônio Carlos Parise (PTB), os dois são nomes sem poder de fogo no atual quadro para disputar um cargo no Executivo e eles têm noção disso.
A aposta de Zanirato é arrancar já um compromisso de apoio de Edinho Araújo (PPS) nas eleições de 2008, quando não mais poderá candidatar-se. Parise truca para sair pelo menos com a vaga de vice-prefeito na chapa do prefeito pepessista.
Edinho foi obrigado a dizer ao petebista com todas as letras que o cargo de vice-prefeito não negocia. É do PT e ponto final. Com Zanirato, a conversa é mais longa. Ele terá de manter-se fiel e líder do governo na Câmara por mais tempo.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:11:16 PM
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postado por MIRNA DE LIMA SOARES 10:40:23 AM
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Terça-feira, Junho 8
No ringue da Câmara
Como em uma luta, estiveram na Câmara de Rio Preto ontem à tarde pesos-pesados da política rio-pretense. De um lado, o empresário Luiz Neves, com seu treinador/advogado Fernando Fukassawa. De outro, a comissão de vereadores que investiga supostas irregularidades no Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae), com seu treinador/advogado Odinei Bianchin.
De fato, o que se travou foi uma luta. O empresário Luiz Neves foi interrogado por quase três horas pelos integrantes da comissão, na tarde de ontem. Posso dizer que foi frustrante. Não havia acompanhado qualquer dos depoimentos anteriores. Mas, se foram no mesmo nível, só posso dizer que é lamentável.
Numa luta, o espectador gosta de ver pancadaria para valer, muito sangue, o adversário aniquilado no ringue. Não foi o que aconteceu. Houve sim uma luta morna. Talvez, uma briguinha de comadre. Sem técnica, com muito puxão de cabelo, unhada, bate-boca e empurra-empura.
Com a torcida ao seu lado, ao empresário Luiz Neves faltou seriedade. Partiu para o deboche, ironias e se recusou a responder uma série de perguntas (aliás, direito dele). Aos membros da comissão faltou competência. Não tiveram habilidade suficiente para conduzir o depoimento e também fizeram uso do deboche e da ironia.
Nesse embate, limites foram extrapolados. "Regininha, pop star", como era chamada a presidente da comissão Regina Chueire (PDT) nos corredores da Câmara, vestiu um modelito básico, escovou os cabelos, caprichou na maquiagem e foi para a frente das câmeras presidir mais um depoimento.
Os cuidados com o visual, a estética poderiam ter se dado na mesma medida - até mais, se possível - no preparo para inquirir aquele que era considerado pela própria comissão peça-chave nas investigações. Perguntas mal-articuladas e falta de argumentação eram apenas algumas das falhas.
Para coroar o despreparo dos membros, a vereadora Regina anunciou que nem tudo que o depoente Luiz Neves estava declarando iria constar da ata. Absurdo isso. Num depoimento qualquer, comentários, piadinhas, vírgulas são todos registrados.
Depois, não leram o depoimento na íntegra do empresário para que posteriormente pudesse assinar. Nunca vi isso. Resumindo, o depoimento não acrescentou nada, em meu entender, às investigações no Semae.
A comissão se perdeu. Ao ser instalada, justificou-se a necessidade de investigações de supostas irregularidades no Semae. Mas o que se viu ontem foi uma tentativa explícita de se tentar qualificar de tráfico de influência de Luiz Neves no Governo Progressista, o que não é objeto determinado de investigação da comissão. No fim das contas, somando pontos pró e contra, a luta terminou empatada.
Comentário
Lamento que seus comentários tenham um ranço sexista, com ênfase em questões de gênero e estereótipo da figura feminina. Não ficam bem em texto escrito por uma mulher inteligente e articulada como você, parece-me que são expressões de outra pessoa. Lamentável.
Regina Chueire, vereadora, presidente da comissão e candidata a prefeita de Rio Preto
Meu comentário do comentário
Devemos esclarecer ao blogueiro que se houve "ranço sexista" foi por parte da vereadora Regina Chueire. Ela sim supôs que ao me referir ao cuidado que teve com a aparência foi com demérito. Em momento algum, eu escrevi isso.
Ao contrário, podemos dizer que, de forma sutil, mostrei ao leitor que inclusive ela incorporou o papel de apresentadora no grande espetáculo que se transformaria o depoimento do empresário Luiz Neves, em que toda a mídia estaria presente. Isso só comprova a tese de que o trabalho da comissão virou palanque eleitoral. Isso sim é lamentável.
Novo comentário
Na verdade, a vereadora Regina Chueire é pré-candidata a prefeita em Rio Preto, pois ainda não foi realizada a convenção partidária do PDT. Mas, no seu e-mail, a nobre vereadora se auto-intitula candidata. Acho muito dificil separar sua pré-candidatura da CPI do Semae. Essa questão é muito séria para fazer parte de projetos pessoais da nobre vereadora, como mostra seu e-mail.
Mirna, obrigado pelo espaço.
Richard Luiz Ambrósio
Comentário do novo comentário
Você tem razão em seus comentários. Mas ela já se declarou, e líderes do PDT também, candidata.
Com as negociações que devem acontecer neste mês, pode nem se confirmar a candidatura. No entanto, até o momento, ela bate nesta tecla.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 7:56:20 AM
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Decepção pefelista
As negociações entre a presidente da comissão, a vereadora Regina Chueire, e o PFL para as eleições estavam adiantadas. Digo estavam porque até a semana passada os pefelistas falavam de boca-cheia que ela poderia ser a candidata a prefeita, com Manoel Antunes (PFL) de vice, que trituraria o atual prefeito Edinho Araújo (PPS), candidato à reeleição, nos debates. Acho que o depoimento de ontem mostrou que as coisas não são bem assim.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:07:53 AM
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Arbitrariedade
Regina Chueire não teve sequer o equilíbrio necessário para conduzir o depoimento. Mandou o empresário Luiz Neves ficar "quieto" por várias vezes. Foi arbitrária, arrogante e indelicada.
Ficou frente a frente com Fernando Fukassawa, ex-secretário de Negócios Jurídicos, ex-assessor jurídico da Câmara e um ex-colega de governo na administração Caboclo, e o tratou sem o menor respeito. Ironizou-o e até ameaçou tirá-lo do depoimento.
Impediu inclusive Fukassawa de fazer suas considerações finais. Pertinentes, aliás, já que falava sobre a Constituição Federal, com propriedade.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:07:23 AM
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Falha nossa...
O vereador Pedro Roberto Gomes (PHS) mostrou desconhecimento do significado da palavra pecha. Perguntou ao empresário Luiz Neves por que ele tinha a pecha de eminência parda do governo. Pecha significa defeito, falha, o que é bem diferente de dizer que ele era conhecido, identificado, ou classificado como tal.
Pedro Roberto também insistiu em saber se Luiz Neves havia indicado nomes para o governo. Não entendi o porquê da pergunta. Ao que eu saiba, foi ele quem disse que isso não tinha significado algum, quando questionado pela imprensa sobre a indicação que fez do engenheiro Adalberto Massaharu Goto ao Semae.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:06:43 AM
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Programa de auditório
O depoimento de Luiz Neves à comissão também pode ser comparado a um programa de auditório. Havia até torcida. Um grupo de amigos aplaudia e vaiava a movimentação. Ao final, ele saiu aclamado. Recebeu cumprimentos, abraços e palavras de apoio.
Luiz Neves, com ar de celebridade, deu parabéns à vereadora Eni Fernandes (PT), ao reconhecer que a primeira pergunta concernente ao assunto foi feita por ela. Depois, ironizou Regina Chueire ao ser questionado por que parte do governo estava assistindo ao depoimento dele. "Vamos conversar sério", respondeu.
O tucano Claudiney Faustino quase perdeu o rumo quando ao questionar o empresário sobre uma viagem ao Rio Grande do Sul Luiz Neves respondeu que toda a documentação já estava em poder dele há mais de um ano. Surpresa para os outros membros da comissão.
Já numa das intervenções do vereador Celso Melo (PFL), que usou a palavra para fazer um esclarecimento, o empresário mostrou certa intimidade com o pefelista. Falou em alto e bom som em plenário: "Obrigado, Celsão!".
Luiz Neves ainda se fez de desentendido. Disse que não sabia o que era cargo em comissão e declarou inclusive que se equivocou numa resposta dada ao jornal Diário da Região se havia aprovado nomes para o governo em reportagem publicada em abril. Segundo ele, aprovou nomes apenas em seu "íntimo" depois de ler nos jornais.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:06:09 AM
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Curiosidade
Cézar Casseb, presidente do PFL, partido que abriga o principal adversário do prefeito Edinho Araújo nas eleições 2004, Manoel Antunes, estava na galeria da Câmara ontem. Mas o curioso é que estava na torcida por Luiz Neves, amigo de Edinho de longa data.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:05:45 AM
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Domingo, Junho 6
Ninharia
Quando descobrimos que a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), companhia brasileira líder mundial em produção de petróleo em águas profundas, destina R$ 22 milhões anuais para patrocinar o Williams do colombiano Juan Pablo Montoya, na Fórmula 1, vemos que os R$ 300 mil que repassou para a edição 2004 do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto é uma ninharia. Se investisse os mesmos R$ 22 milhões na cultura nacional, estaria colaborando para transformar o País num líder mundial de cultura e de quebra ajudaria a indústria brasileira do turismo.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 4:08:56 PM
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Quinta-feira, Junho 3
Dá-lhe
Apesar do sangue argentino na família, só posso dizer:
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:09:42 PM
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Presente de grego...
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a Itinga, recentmente, no vale do Jequitinhonha, inaugurar uma ponte, e ganhou uma camiseta vermelha, com a estrela do PT. Entretanto, depois de examinar o presente, Lula mostrou certo descontentamento. O fotógrafo amador Walter Caramujo flagrou o lance. Vejam as fotos.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 11:59:52 AM
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O mercado para os jornalistas de web
Bia Moraes, de Curitiba
Uma pesquisa recente feita por jornalistas do eltiempo.com - site do jornal diário El Tiempo, da Colômbia, e também o site jornalístico mais visitado daquele país - traz alguns dados expressivos sobre jornalismo on-line na América Latina. Os resultados da sondagem, que foram apresentados no 5.º Simpósio Internacional de Jornalismo Online, em Austin, Texas, nos EUA, revelam, entre outros dados, que a maioria dos jornalistas que trabalham em internet de jornais latino-americanos são bastante jovens, ganham menos do que seus colegas de mídia impressa e são vistos, em geral, por seus empregadores, em um nível profissional mais baixo que os demais.
A pesquisa apontou também que o trabalho dos jornalistas on-line é focado mais em texto e edição e pouco em reportagem. Além disso, esses profissionais afirmam que sentem falta de formação teórica mais adequada nesta área, em especial na aquisição de conhecimentos técnicos sobre a web, que ainda não são oferecidos regularmente nas universidades - e tampouco os empregadores têm estimulado os jornalistas a fazer cursos na área, oferecendo oficinas ou módulos de treinamento. A pesquisa foi feita pela internet, pelos jornalistas Julio César Guzmán e Guillermo Franco, e teve o apoio da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), Grupo Diarios de América (GDA), e Fundación para el Nuevo Periodismo Hispanoamericano.
A sondagem foi respondida por mais de 70 coordenadores de websites, unidades de internet ou sites de jornais impressos. A lista de pesquisados abrange veículos líderes em seus respectivos mercados, o que conferiu boa representatividade ao trabalho. Entre os veículos que participaram, estão o Globo Online e o ClicRBS, do Brasil; o La Nación e o clarin.com, da Argentina; o El País, do Uruguai; o El Universal, do México, e o bolívia.com, na Bolívia, entre outros. Além destes, dezenas de websites de conteúdo noticioso da América Latina que não possuem versão impressa foram também pesquisados.
A jornalista Cláudia Belfort, que durante quatro anos foi editora de internet e coordenadora de internet do site TudoParaná, do Grupo RPC, em Curitiba, analisou alguns resultados da pesquisa a pedido do
Comunique-se.
Para ela, que atualmente é editora-chefe do jornal Gazeta do Povo, também do Grupo RPC, a parte da pesquisa que aponta texto e edição como foco principal do webjornalismo está correta. "Muitos ainda acham que a internet carece de grandes reportagens. Mas o meio web é lugar para furos, para a notícia do tempo real. Quem deve ser mais profundo na reportagem é o jornal, a mídia impressa", afirma.
Já a questão salarial, pelo menos na RPC, não condiz com o resultado da pesquisa, afirma Cláudia Belfort. "É verdade que a maioria dos jornalistas online é jovem. Mas no TudoParaná os salários são iguais aos de repórter e editor do jornal", aponta.
Cláudia diz também que jornalistas que trabalham para o meio web não precisam fazer cursos de webdesign ou programação. "Precisam ser bons jornalistas, bons apuradores, ter bom texto, trabalhar rápido com pouco erro e saber fazer título", explica, comentando o ponto da pesquisa que toca na formação desses profissionais.
A sondagem do eltiempo.com apontou que a maioria dos empregadores (jornais impressos) reduziu os departamentos de internet porque, de acordo com as empresas, o que essas unidades fazem não é suficiente para bancar sua própria operação. Por essa razão, em algum momento, algumas das empresas decidiram cobrar pelo acesso ao seu conteúdo na internet.
Sobre isso, Cláudia Belfort afirma que "não dá para jogar na produção das unidades de internet de jornais a responsabilidade pela geração de receita. Não é a produção que os anunciantes compram, e sim a exposição à audiência".
Para ela, há uma série de fatores para as empresas de internet ainda não gerarem lucro, e este "é um longo debate", mas, diz Cláudia, "é a primeira vez que ouço o argumento de que unidades de internet não geram suficiente para bancar sua própria operação".
A jornalista opina que a cobrança de acesso ao conteúdo é uma questão estratégica cujas razões variam de empresa para empresa, e pode ser sucesso de geração de receita em casos isolados como o WSJ.com e o Financial Times, cita. "Mesmo assim, cobrar pelo conteúdo não é a principal fonte de receita para quem optou por esse modelo", conclui Cláudia.
A seguir, algumas das principais conclusões retiradas da pesquisa, que foram também publicadas pelo site do Knight Center for Journalism in the Americas, da University of Texas at Austin - onde aconteceu o Simpósio Internacional de Jornalismo On-line.
- 68% das "dotcoms" (unidades de internet) são feitas por uma equipe de oito ou menos jornalistas. O pagamento dos jornalistas de internet representa entre 5 e 10% do total da área jornalística do veículo (impresso+on-line).
- Apenas 10% das unidades de internet dos jornais latino-americanos atualizam o conteúdo 24 horas por dia. 61% deles o fazem num período entre 15 e 20 horas. Mas 78% deles afirmaram que atualizam o site quantas vezes for necessário.
- 87% dos jornalistas de internet de jornais na AL têm idade entre 20 e 30 anos. Nos demais websites (os que não têm versão impressa), essa percentagem é de 63%.
- A maioria dos coordenadores ou empregadores de sites de jornais líderes na AL acreditam que os jornalistas online estão em um nível menor de profissionalização do que seus colegas de jornal impresso. Uma pequena, porém significativa porcentagem, afirma que os jornalistas digitais são "o futuro" da profissão.
- Quase a metade (49%) dos jornalistas de websites de veículos impressos ganham menos do que seus colegas de redação; e 43% ganham o mesmo. Apenas um jornal entre os pesquisados paga mais aos jornalistas on-line.
- Mais da metade - 53% - dos jornalistas de internet de jornais na AL não tiveram disciplinas acadêmicas da área, mas 47% deles o fizeram: 17% cursaram em outros países e 30% em seus próprios países.
- 61% dos programas acadêmicos oferecidos em seus países aconteceram em cursos ou seminários; 13% foram no nível de graduação e outros 13% em pós-graduação. A metade dos jornalistas afirmou que a qualidade desses cursos não é boa.
- Apenas 43% dos veículos oferece treinamento em web dentro da própria empresa para seus jornalistas. A maioria dos treinamentos (68%) é oferecida poucas vezes, entre uma a três vezes por ano.
- Nenhuma das unidades de internet dos jornais consultados considera a reportagem o foco da sua atividade jornalística; a grande maioria acredita que o principal é escrever e editar. Por outro lado, nos sites noticiosos que não estão ligados a jornais, reportagem é o foco, para 28% deles.
- As editorias onde as unidades de internet de jornais concentram a maior parte do conteúdo feito por elas é, pela ordem: breaking news, entretenimento, esportes e tecnologia.
- Assuntos preferidos do público são: notícias sobre esporte, política, segurança e entretenimento, pela ordem.
- Apenas 14% das redações dos jornais geram conteúdo "real time" para as edições online, como parte de política interna das empresas. 9% o fazem por iniciativa própria; 63% o fazem ocasionalmente, e 14% não o fazem.
- Apenas 19% das unidades de internet de jornais consideram que a maior parte de seu conteúdo vem da edição impressa.
- 43% delas usam áudio e vídeo em seus sites. Nas demais, metade dizem usar esses recursos em projetos especiais. 71% afirmam que o conteúdo de áudio e vídeo é produzido pela sua própria equipe de jornalistas.
Os jornalistas responsáveis pela pesquisa são:
Julio César Guzmán e
Guillermo Franco, do jornal El Tiempo - eltiempo.com
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 11:24:55 AM
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Quarta-feira, Junho 2
Em Mirassol
PFL e PT não devem repetir a dobradinha que deu certo em 2000. O prefeito José Carlos Chim Palchetti (PFL) já lançou sua candidatura à reeleição. Ele articula com o PPS para que o vice seja Luiz Fernando dos Santos. O jornalista Jair Lemos, ex-Diário da Região, fará a assessoria da campanha do pefelista.
O vice-prefeito Gilmar Guilhen (PT) também sairá candidato a prefeito. Ele já negocia com Silvia Laguna, vereadora pelo PSDB.
O quadro eleitoral se mostra favorável a Gilmar Guilhen em Mirassol. O problema é se quando chegar sua vez de tentar a reeleição não passará pela mesma situação que Chim, sua vice decidir enfrentá-lo nas urnas.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 6:05:19 PM
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