Desinformação
Recebi no último dia 5 uma mensagem pela internet que só agora fui ler. É sobre um manifesto pela criação de um conselho de cultura em Rio Preto. Não gosto de falar sobre cultura rio-pretense em meu blog. Sempre preferi evitar tal assunto por uma série de motivos. Entre eles, não estar legislando de certo modo em causa própria. Mas sinto-me na obrigação de reagir.
Acompanho cultura em Rio Preto há 11 anos. Nunca vi fazer tanto e com qualidade em tão pouco tempo. Chamar a atual Secretaria de Cultura de "secretaria de eventos" mostra total desconhecimento do que é cultura para uma cidade.
Não devia perder meu tempo com isso, já que o e-mail nem é assinado. Mas já que mandaram não dá para ignorar tamanha desinformação.
O texto pede a criação de um conselho de cultura. A questão é que Rio Preto tem um conselho de cultura criado no apagar das luzes do governo Caboclo. Portanto, não entendi qual o objetivo da mensagem. De qualquer forma, o espaço está aberto para quem tiver coragem de se identificar vir a público explicar qual o objetivo. Eu, sinceramente, não entendi.
Além do mais, já perdeu a graça. Toda vez que alguém de alguma forma se sente prejudicado, mesmo que em seu detrimento um grupo muito maior venha a ser beneficiado, é a mesma ladainha. Tenta-se criar um conselho. Mas nunca foram atrás de se informar. Ele já existe.
Tem mais. Quem ainda tiver alguma dúvida sobre o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura pode desfazê-la já. A seguir, listo um último balanço feito em dezembro de 2003. De lá para cá, muita coisa já aconteceu e o que é melhor são mais de 3 mil alunos estudando artes gratuitamente. O balanço de 2004 coloco em outra ocasião para não cansar o leitor.
Principais atividades
* Recuperação das obras e do Museu de Arte Primitivista "José Antônio da Silva"
* Recuperação da Pinacoteca
* Reestruturação e atualização do Acervo da Biblioteca Pública "Doutor Fernando Costa"
* Reestruturação da Galeria Cláudio Malagoli
* Inauguração da Galeria Hudson Buck de Carvalho e recuperação das obras
* Reformas no Teatro Municipal "Humberto Sinibaldi Neto"
* Dia da Criança - Cidade da Criança
* Encontro de Companhias de Reis
* Salão de Arte Juvenil
* Instalação da Biblioteca do Eldorado
* Reestruturação do Comdephact
* Escola Municipal de Artes
* Núcleo de Ensino Musical do Soraya
* Carnaval de Rua
* Comemorações do aniversário da cidade
* Festival Internacional de Folclore
* Bienal do Livro
* Festival Internacional de Teatro
* EstouRock
* Festival de Moda de Viola e Catira
* Trilhos da Dança
* Prêmio Estímulo "Nelson Seixas"
* Comemorações de Natal
* Réveillon na Represa
* Janeiro Brasileiro da Comédia
* Acústico e Afins
* Concertos Rio-pretenses
* Mostra de Cinema e Vídeo
* Arte no Mercadão
* Olimpíada das Crianças
* Dança na Cidade
* Som e Cambalhota
* Caleidoscópio
* Exaltação a Zumbi
Números até final de 2003
1.529 atividades culturais
Festival Internacional de Teatro (3 edições)
Público: 350 mil
Espetáculos: 200
Apresentações: 400
Bienal do Livro (uma edição)
Comercialização: R$ 800 mil
Público: 100 mil
Dia da Criança (três edições)
Cidade da Criança
Público: 90 mil
Réveillon (três edições)
Público: 100 mil
Prêmio Estímulo (duas edições)
Valor das premiações: R$ 300 mil
Carnaval (três edições)
Público: 60 mil
Aniversário da cidade (três edições)
Público: 170 mil
Festival Internacional de Folclore (três edições)
Público: 30 mil
Som e Cambalhota (uma edição)
Público: 15 mil
Olimpíada das Crianças (duas edições)
Público: 30 mil
Como sou democrática, coloco a seguir o panfleto e a mensagem enviada. Pena que dois dos grupos que assinam dizem que foram ludibriados.
Segue a mensagem como me foi passada:
Você pode, que é cidadão rio-pretense e contribuinte tem o direito de opinar sobre as decisões municipais que envolvem gastos com a cultura. Faça sua adesão ao nosso movimento. CONSELHO DE CULTURA JÁ! Chega de secretaria de eventos! Exerçamos nossa cidadania. Cultura é seu direito.
Comentário
Recebi um comentário sobre esse assunto que denota mais uma vez que as pessoas que assumiram esse "movimento" são completamente desinformadas e ainda gostam de tudo mastigadinho. O caminho das pedras está aí. É só trilhar. A seguir, o texto como foi enviado (detalhe: o primeiro e-mail não tinha assinatura).
E-mail
Estamos satisfeitos por ter conseguido que nosso panfleto fosse incluído na pauta de seu blog. Demontra que ele tinha alguma importância jornalísticae que esta manifestação não poderia ser ignorada por muito tempo, já que seu blog tem grande audiência e é lido não só por seus companheiros de profissão.
Nos gostariamos que a Sra., que é extremamente bem informada, repassasse a informação para o seu público leitor, quanto ao Conselho de Cultura que mencionou. Nós gostaríamos de saber:
1. Qual o número do decreto ou lei que instituiu o Conselho de Cultura que a senhora mencionou e data da publicação;
2. O nome de todos os integrantes do conselho e as áreas que eles representam;
3. A data em que os mesmos foram nomeados e empossados como membros do conselho;
4. Local em que o conselho esta sediado incluindo o telefone do conselho para contato dos múnicipes interessados em saber sobre a sua intervenção no processo cultural de cidade;
5. Nome do presidente do conselho para quem desejar encaminhar alguma sugestão ou crítica, ou ainda solicitar esclarecimentos sobre suas atividades;
6. Horário de atendimento do conselho ao público, caso tenha um;
7. Outros que a senhora julgar de interesse público.
Achamos que a senhora ou cometeu um erro ou não esteve atenta que quem assina o e-mail, são os mesmos que assinam o panfleto. Aliás, queremos agradecer pela publicação do mesmo.
Mais comentários
Seguem mais comentários orquestrados, da forma como foram escritos.
Acompanho seu blog e esperava que pudesse sair dele sempre informado. Eu também gostaria de saber as respostas das perguntas. Sendo jornalista não seria possível a você informar a todos nós leitores e acabar de vez com esta história. Estaria prestando um serviço a comunidade.
Eduardo
12-05-2004 / 09:33:08
Por acompanhar com bastante interesse a questão cultural de São José do Rio Preto, gostaria dee saber o nome do Presidente do Conselho Municipal de Cultura e como contactá-lo.
Rose
12-05-2004 / 11:31:50
Como a Rose, também tenho interesse no assunto. Gostaria de contar com esta informação. Cultura é um assunto que realmente precisa ser discutido.
Roberto Simões
12-05-2004 / 22:32:33
O PSDB, por Elio Gaspari
O jornalista Elio Gaspari escreve no O Globo sobre os tucanos. Achei providencial. Vale conferir.
Os tucanos viraram surfistas de ruína
De repente, deu uma saudade danada do PSDB. Saudade de quê? Da estagnação econômica? Da plutofilia? Da privataria? Do BNDES com seus grampos? Muita gente boa acha que comprou gato por lebre na eleição de 2002. Pena, mas o que se comprou foi gato por gato. É o preço que se paga quando se decide votar "em qualquer um, menos?".
A saudade do PSDB é muito mais uma reação aos petistas de charutos Cohiba e Ômegas australianos do que um sentimento de gratidão, reconhecimento ou esperança. À custa do mau desempenho petista, os tucanos conseguem o milagre de parecer viáveis precisamente quando se mostram um partido anacrônico, oportunista, sem projeto nem nomes.
Trata-se de um partido que não consegue ter candidatos próprios em Belo Horizonte e Fortaleza (capitais de estados governados por tucanos). Também não conseguiu deixar de pé a candidatura da deputada Denise Frossard no Rio de Janeiro. Preferiu fritá-la em troca de um pedaço do bife municipal de Cesar Maia. Em Porto Alegre, se a deputada Yeda Crusius não tomar cuidado, pode ser assada numa composição com o PPS.
Em São Paulo, caso José Serra não seja candidato (até hoje ele não disse que não será), o governador Geraldo Alckmin empurrará goela abaixo do partido o procurador Saulo de Castro Abreu Filho, seu secretário de Segurança. Para Alckmin ele é o "servidor público número 1". Para o ex-secretário José Afonso da Silva (vinho da safra Mário Covas) é um operador de retórica malufista. Será divertido ver a expressão de perseguidos da polícia como FFHH (FHC), Aloysio Nunes Ferreira (PCB-ALN), Arnaldo Madeira (PCB) e José Serra (AP) no palanque tucano do doutor Saulo.
Por mais que disfarce, o PSDB tornou-se uma linha auxiliar da base petista no Congresso. Na Câmara, menos. No Senado, muito mais. Os senadores tucanos fazem mais oposição ao espalha-brasa Aloizio Mercadante do que ao governo de Lula.
O tucanato econômico apóia a ruinosa política de Lula. Afinal, a cabeça da ekipe não mudou. Fizeram o melhor negócio do mundo. Deixaram o companheiro com a taxa de desemprego e ficaram com a taxa de juros. O doutor Pedro Malan, no conselho do Unibanco. O doutor Armínio Fraga, que saiu de um fundo de milionários para presidir o Banco Central de FFHH, fundou o seu próprio fundo de milionários. Mora numa casa com piscina que muda de cor durante a noite. (Um dia a interminável atriz Esther Williams sai de dentro d'água e põe os convidados para correr.)
Enquanto isso, o grão-tucano FFHH se dá ao desfrute de enfeitar uma quermesse de deslumbrados reunida em Comandatuba, na qual ele e o doutor Antonio Palocci falaram sobre a economia nacional enquanto as senhoras (dos deslumbrados) levaram roupinhas de onça para a festa noturna. O laboratório Pfizer presenteou os convidados com pastilhas de Viagra e um dos times de vôlei aquático intitulava-se "Gostosos". Entre um andar de cima que faz coisas desse tipo e um andar de baixo que sai atrás de João Pedro Stedile, é melhor pensar em se filiar ao MST.
Tendo fracassado na eleição de 2002, até hoje o PSDB não teve uma só idéia, salvo surfar a ruína petista. Tudo bem, mas surfe é bonito no mar. Em política, o surfista acaba na praia, junto com o vendedor de sanduíche.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 2:32:18 PM
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Quarta-feira, Maio 5
Corujice de tia
Para compensar notícia de perda dos últimos dias, coloco aqui a foto do meu sobrinho argentino que nasceu no início do ano, Tomás Lozano. Eu ainda não o conheço pessoalmente. Mas pela foto posso ver que é muito fofo.
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 12:58:12 PM
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Sábado, Maio 1
Quem tem medo da Dinorath
Desde que cheguei a Rio Preto, em 1993, à exceção deste último ano, sempre trabalhei ao lado da Dinorath. Primeiro, no jornal
A Notícia. Depois, no
Diário da Região. Nesse período, durante mais de seis anos, editei suas páginas de história.
Confesso que demorei a conquistar a confiança dela. Aliás, nossa primeira entrevista não foi nada amistosa. Havia acabado de desembarcar em Rio Preto. Trabalhava como repórter de Cultura, da Notícia. Ela era a diretora da Casa de Cultura à época.
Por telefone, pergunto a ela onde ficava a Casa de Cultura. Foi minha primeira resposta atravessada: "Todo mundo sabe onde fica a Estátua da Liberdade. Você não sabe onde fica a Casa de Cultura?". Nesse dia, descobri porque tantos tinham medo de ligar para a Dinorath.
Por muito tempo, continuei a receber respostas atravessadas. Mas nunca desisti. Na dúvida na hora de editar seus textos, por pequeno detalhe que fosse, sempre ligava. Era melhor que tomar dura no dia seguinte.
Certo dia, já era umas sete da noite, liguei para avisá-la que a palavra suíço estava escrito com dois esses (suísso) e que eu ia alterar. Para quê? Ela acabou comigo. Chamou-me de menininha prepotente. "Onde já se viu. Acha que sabe alguma coisa." Ainda tentei explicar. Mas ela não me deu ouvidos.
Passados alguns minutos, Dinorath me liga de volta. Pede-me desculpas. Diz que ainda bem que não havia comunicado a direção do jornal sobre o meu "atrevimento" em querer corrigi-la. Disse que eu estava coberta de razão. Suíço é com cê cedilha. Ela ainda não havia se acostumado com algumas mudanças na ortografia. Foi aí que conquistei o seu carinho e, especialmente, seu respeito.
Numa das últimas vezes em que conversamos, ela estava muito ofegante. Disse-me que morreria logo. Foi quando sugeri escrevermos sua história enquanto havia tempo, para evitar que se remexesse no túmulo com os absurdos que poderiam vir a escrever. "Não se preocupe. Vou deixar tudo escrito", respondeu. Foi quando prometi-lhe uma visita. Fiquei devendo.
Dinorath é mulher para se espelhar, admirar. Onde se meteu, se saiu bem. Como historiadora, jornalista, escritora, professora, mãe, diretora, roteirista, uma batalhadora. Não é à toa que se foi no dia do trabalho.
Comentário
Realmente Rio Preto perde uma pessoa riquíssima em conhecimento histórico. Uma Sumidade na arte de escrever, interpretar, ler, contar e vivenciar as coisas. Deixa saudades entre os amigos e entre os que nunca a conheceram.
Eu falei duas vezes com Dinorath por telefone. Nunca pessoalmente e mesmo assim chorei a morte dela. A última vez que falei com ela por telefone foi tão prazeroso. Eu pedi a ela um histórico ou algo sobre Talhado, distrito em que sou subprefeito, e ela prometeu que assim que estivesse melhor procuraria algo para mim.
Disse-me que havia ouvido falar muito no meu nome ultimamente e que eu já estava famosinho. Achei tão engraçado o jeitnho dela. Foi um prazer falar com ela, mesmo que não tenha dado tempo dela fazer o tal levantamento para mim.
Que DEUS receba Dinorath de braços abertos. Ela merece. Morreu, mas deixou muita história contada pra gente. Pessoa de memória intocável, sabia de coisas que até DEUS duvidaria se ouvisse ela contar... DEUS, tenha ela sempre por perto... e dê muita luz a ela.
Alex Santos, subprefeito de Talhado
03-05-2004 00:57:01
postado por MIRNA DE LIMA SOARES 3:14:30 PM
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