Rosario, una pasión
Recebi este vídeo hoje da Sara (sogra das minhas irmãs) e gostaria de compartilhar com todos aqueles que como eu de alguma forma está ligado a esse país ou a essa cidade, Rosário (Argentina), onde vivem minha irmã Jacque e meus lindos sobrinhos Iago e Tomás, além do cunhadinho Pablo e seus familiares. Aliás, lugar que em breve pretendo estar novamente. Uma cidade muito bonita, cortada pelo nosso rio Paraná e cheia de cafés. Um lugar especial. Fiz uma matéria sobre Rosário, que foi publicada no ano passado na revista
ZAAP!. Vou republicar aqui. Vale remorar.
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ROSARIO,
No embalo do rio Paraná
Rosario, na Argentina, está intimamente ligada à região de São José do Rio Preto. A cidade é cortada pelo rio Paraná, o mesmo que nasce em solo brasileiro, no Estado de São Paulo. É o nosso rio Grande que se une ao Paranaíba, para dar vida ao Paraná e terminar na bacia do Prata. São 4,9 mil quilômetros de extensão.
Em terras argentinas, o rio Paraná ganha status de praia. À beira de seu leito, famílias inteiras curtem o sol, que teima em se esconder boa parte do ano. É às margens do Paraná, principalmente no Outono e na Primavera, quando o vento deixa o clima ainda mais frio, que os rosarinos, especialmente os estudantes, vão em busca de um pouco de calor todos agasalhados. De tênis ou sapato, calça e blusa, deitam-se em suas areias, brincam de bola. “Ou curtem um mate (espécie de chimarrão)”, diz o personal trainer Germán Lozano. Eles vivem um dia de sol, mesmo que seja fraco, como se fosse o último.
É também na pista de caminhada à margem do Paraná que as pessoas passeiam. A pista segue ao longo da cidade pelas zonas Norte, Centro e Sul. A pé ou de bicicleta, pode-se colocar a atividade física em dia. Uma bela paisagem, que nos permite avistar na outra margem a ilha, que naturalmente desperta curiosidade, podendo ser visitada por diversos tipos de embarcação. Ela tem as praias Puerto Pirata, Vladimir, Isla Verde e el Puntazo, que ficam na zona Norte.
Na ilha, é possível passar o dia num barzinho ou mesmo fazer um churrasco com os amigos (outra semelhança com nossa região) e andar de caiaque. Existem espaços apropriados para isso. Já no Verão, a prefeitura rosarina ou os próprios donos de barzinhos realizam campeonatos de vôlei ou futebol para atrair os jovens. “Também é possível passar o dia pescando, na ilha”, conta Pablo Lozano, dono de uma academia de ginástica na cidade.
Para atravessar o rio, a prefeitura de
Rosario mantém embarcações na Estação Fluvial. Podem ser feitos inclusive passeios de barco. O passeio no
Ciudad de Rosario leva duas horas e custa 8 pesos (cerca de R$ 4, por pessoa).
Existem atrações também para quem prefere não atravessar o rio. Restaurantes instalam-se no entorno do Paraná e servem peixes retirados do próprio rio. Do outro lado da avenida, pescadores vendem seus produtos no mercado. Grandes casarios dão um charme ao local. Um elevador panorâmico valoriza o passeio pela orla. Há ainda a vista da Puente Rosario-Victoria, que – como o próprio nome sugere – liga
Rosario à cidade de Victoria.
Outro fato curioso na orla é que há ali uma praia particular, a Florida. Além de privacidade, ela também oferece a seus freqüentadores vestiários privativos, bares, campeonatos de vôlei e futebol e até lugar para se dançar ao ar livre.
Vida noturna
O charme de
Rosario não se restringe às margens do Paraná. A boemia não é privilégio da capital portenha, Buenos Aires. Para quem curte a noite, vale ressaltar que a vida noturna rosarina é agitada e, o que é melhor, não é cara. Curtir a noite numa das principais danceterias da cidade, como a Madame, pode custar em torno de 10 a 15 pesos (R$ 5 a R$ 7,50) a entrada.
Se sua preferência for mesmo por um lugar para dançar, é bom ficar atento. As danceterias de
Rosario são para todas as idades. Elas segmentam seu público pela faixa etária. Tem espaço para os maiores de 18, com até 25 anos. De 25 a 40 anos. E até os quarentões têm vez. Isso sem falar nos
niños, de 10 a 16 anos. São todas divididas por idade.
O horário de funcionamento também chama a atenção. Há danceterias que abrem às 18 horas e só fecham às 10 da manhã do outro dia. Outras abrem à uma e fecham às seis da manhã. Existem muitas. São de estilos simples, sem altos investimentos em decoração, porque para os rosarinos o que importa é preço. “Quanto mais barato melhor”, afirma a brasileira Glauce Jacqueline, radicada há 13 anos na Argentina.
Os restaurantes também são outra boa pedida em
Rosario. Glauce conta que a última moda na cidade é ir a restaurantes jantar. Na seqüência, o espaço é transformado. São retiradas todas as mesas, para o público dançar. “O lugar vira uma danceteria”, diz.
Outros atrativos
Não é apenas à noite que a cidade tem vida. Durante o dia e até mesmo nos finais de semana, quando as lojas estão fechadas, o centro de
Rosario tem muito movimento. Detalhe: a cidade parece competir com Buenos Aires no que diz respeito a número de cafés. Há uma concentração enorme de cafeterias na área central, especialmente na peatonal Córdoba, o calçadão de lá. Os rosarinos dizem que ali não é como no Brasil em que se convida um amigo para se tomar uma
cerveza. O convite é para se tomar um café. Pela manhã, seria com
una medialuna (um café com croissant, doce ou salgado), para fazer o
desayuno.
No microcentro, tem um bar chamado El Cairo, reduto de intelectuais, cantores e pessoas ligadas às artes. Um dado interessante é que este café é o terceiro em vendas de cafezinhos em toda a Argentina, perdendo somente para o Tortoni e o La Biela, respectivamente, ambos em Buenos Aires.
Há também o centro histórico, com sua Plaza de Mayo. E é também em
Rosario que tem a Casa do Che. O lendário guerrilheiro nasceu na cidade, num prédio que até bem pouco tempo passava despercebido, no cruzamento das ruas Urquiza e Entre Ríos. Foi restaurado e hoje abriga uma espécie de museu que resgata a história de Che Guevara, embora o lendário personagem não seja uma unanimidade entre os rosarinos. Há quem diga que ele abandonou a Argentina para abraçar causas em outro país.
Um monumento que chama a atenção de quem visita
Rosario e, este sim, sem dúvida alguma, é motivo de orgulho na cidade é o Monumento Nacional da Bandeira, uma construção gigantesca, que tem uma sala que reúne bandeiras de todos os países do mundo. Mas a obra não foi criada para isso. Ela tem como propósito render homenagens à bandeira nacional, que foi criada ali, em 1812, às margens do rio Paraná, pelo general Manuel Belgrano. Não é à-toa que a cidade é conhecida como
cuna de la bandera, berço da bandeira.
Rosario também é terra natal de outros famosos, como o cantor e diretor de cinema Fito Páez, que inclusive já gravou e se apresentou com cantores brasileiros, como Caetano Veloso. A melhor jogadora de hóquei do país e considerada a melhor do mundo por quatro temporadas, Luciana Aymar, também é uma rosarina. Mas o maior pupilo da atualidade é o jogador de futebol Leonel Messi, que atualmente atua no Barcelona, da Espanha, e com apenas 19 anos já é titular da Seleção Argentina. Não se pode deixar de lembrar do cartunista Jorge Fontanarrosa, falecido recentemente.
Por falar em futebol, a cidade tem dois grandes clubes que disputam a paixão rosarina. São o Newell’s Old Boys, onde atuou o grande ídolo do futebol argentino, Diego Armando Maradona, e o Rosario Central. A rixa e fanatismo são grandes. Num paralelo com o futebol brasileiro, diria que se assemelha à rivalidade existente entre Corinthians e Palmeiras,
pero con mucho más pasión.
Para esquentar ainda mais o turismo local,
Rosario aguarda ansiosa pela construção do segundo hotel cinco estrelas da cidade. É que nesta obra será instalado o primeiro cassino da cidade. O mais perto fica a 59 quilômetros dali, na cidade de Victoria, do porte de José Bonifácio. Era para ter sido construído em
Rosario, mas como a cidade pertence à Província de Santa Fé, onde cassinos ainda não eram legalizados na época, ele acabou sendo instalado em Victoria, que pertence à Província de Entre Ríos, que permitia. Agora, já está tudo dentro da lei, o que vai garantir um cassino na cidade.
Rosario
Rosario é uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, descendentes de espanhóis e italianos, com uma maioria católica. Fica ao sul da Província de Santa Fé e a noroeste de Buenos Aires. São 300 quilômetros até a capital portenha.
A cidade não tem data de fundação, mas ganhou status de município em 1852 - como Rio Preto, tem 156 anos - e é banhada pelo rio Paraná, um dos rios mais extensos (4,9 mil quilômetros de extensão) e caudalosos do mundo. A cidade tem temperatura média de 16,9 graus, com a máxima chegando a 41,8 graus e a mínima gira em torno de 10,8 graus. Na minha passagem por lá, a temperatura caiu a 3 graus e a sensação térmica atingiu 2 graus negativos.
Rosario é uma cidade que respira cultura e preserva seu patrimônio. Tem 18 salas de teatro, oito museus, três galerias de arte, além de sete parques. Há um movimento universitário intenso em que se destacam os cursos de engenharia, arquitetura, medicina, direito e belas artes, sendo todos públicos.
Possui ainda dois shoppings centers, sendo que um deles, o Alto Rosario, foi construído numa antiga estação ferroviária e seu depósito de grãos. Aliás, uma estrutura muito semelhante à da Swift, antiga fábrica argentina, instalada em Rio Preto, nos anos 40, à beira de nossa Represa Municipal.
Já a Puente Rosario-Victoria tem 59 quilômetros de extensão. Em seu início, na avenida Circunvalación, há o alerta: retorno só nos próximos 60 quilômetros. A ponte tem uma mega-estrutura e levou em torno de cinco anos para ser construída. Teve um custo estimado de 212 milhões de pesos, dos quais 100 milhões foram subsidiados pela Nação e os 20% restantes pelas províncias de Santa Fé e Entre Ríos, em partes iguais, já que são as duas principais beneficiadas.
É também de
Rosario um dos principais jornais e o mais antigo do país, o La Capital. Fundado em novembro de 1867, em pleno debate sobre qual deveria ser a capital federal da Argentina. Por três vezes, a cidade foi considerada capital. A última foi em 16 de setembro de 1873. Sem explicações, quatro dias depois, houve um veto à decisão do Congresso e Buenos Aires voltou a ser a capital.
Atualmente,
Rosario disputa com Córdoba o posto de segunda cidade mais importante do país. Em função disso, foi assinado um acordo para construir um trem bala que ligará Buenos Aires,
Rosario e Córdoba. Será o primeiro da América do Sul.
Como cidade portuária que é,
Rosario já cedeu terras portuárias para Paraguai e Bolívia, que dão acesso ao Oceano Atlântico. A cidade voltou a ser recentemente um porto com autonomia internacional.
Serviço
A Gol, companhia aérea, dispõe de vôos para
Rosario, com escala em Porto Alegre (RS). Para mais informações, acesse WWW.voegol.com.br
Visite ainda os sites da Prefeitura de Rosario (www.rosario.com.ar), premiaado como o melhor do país, o do Newell’s Old Boys (www.nob.com.ar) e o do Clube Atlético Rosario Central (www.rosariocentral.com).